Voltando dos aprazíveis dias em Barra Grande, mesmo correndo o risco de decepcionar os leitores que esperam registro fotográfico, nada vou publicar sobre a assunto. O local é o mesmo em que fiquei no ano passado e que foi fartamente registrado. É só clicar nos posts de fevereiro de 2011 e o maravilhoso pôr do sol lá se encontra. O mar permanece tão lindo quanto. O céu continua igual, em suas variadas nuances. A serenidade é de fazer inveja ao Paraíso. A música dos coqueiros e das ondas permanecem com o gosto de canção se ninar. Os restaurantes , embora rústicos , e justo por causa disto, merecem as cinco estrelas do primeiro mundo. É tudo muito chique e, sobretudo de excelente qualidade . Sem medo de errar! A pousada DENADA é movida a simpatia e conforto. Mas não esperem televisão, nem mesmo aparelho de DVD.
O Oceano Atlântico entrou de maneira devastadora no meu olhar. A bacia de Camamu comporta inúmeras ilhas, ilhotas e até paraísos particulares para quem pode. Ficava horas e horas cismando, meditando sobre a coragem dos navegadores que se aventuraram pelo desconhecido, em busca, sabe Deus ( e Luiz de Camões ) de quê.
Ainda hoje, o mar, tantas vezes bravio e mesmo quando sereno, assusta e faz suas vítimas. Nunca é demais dedicar a ele, o mar, o respeito e a devoção que lhe são, por direito, devidos. Que ninguém dele se aproxime sem a necessária reverência. Ele assim o exige! E com razão!
É preciso estar atento…
Quentes icebergs tropicais escondem perigos submersos prenunciam armadilhas adversas quiçá mergulhos infernais. Sob as águas, à espreita, rochas escondidas armam ciladas sob o sereno espelho. E, no gesto silencioso e traiçoeiro, o insidioso e inesperado golpe se gesta, violento, traidor. ( Barra Grande, fevereiro, 2012 )Foram dias de muita reflexão e algumas decisões .
Sem ir muito longe, tenho “viajado” por dentro e alcançado poucos “portos”.
Acho que chegou o instante de parar um pouco. Há mais de três anos escrevo este blog, nos “momentos bons e nos momentos maus”. Se foi interessante para alguns de vocês, muito mais o foi para mim. Chegou, entretanto, o momento de fechar a cortina.
“Cai o pano” Somente ao poeta a última palavra Manto que recobre o pensamento final Ou, melhor ainda, o sentimento que agasalha e serve de mortalha àquele momento do último sopro - mesmo que muito outros ainda estejam por vir. Nem à ciência Nem às crenças, Nem aos ideais Nem aos desejos não realizados Nem às recordações das coisas já vividas a nada disso dedico o meu último afeto… É diante do suspiro do poeta, cristalizado em palavras, que me dobro e me enterneço …Palavras que escorrem, lenta e suavemente, entre as pedras áridas daquilo que em meu ser não floresceu, não frutificou, não germinou. Quanto de mim permaneceu estéril, inútil, infecundo e quanto se ressente desse vazio - o tempo do desperdício o tempo do desassossego. A voz do poeta vem e massageia a mágoa Filtra a cisma Limpa o campo Corrige a terra Fertiliza o solo …e permite-me partir como quem ainda tem ânimo para semear…Com a palavra, Luiz de Camões :
Canto Quinto (in OS LUSÍADAS ) Se antigos filósofos que andaram Tantas terras por ver segredos delas, As maravilhas que passei, passaram, A tão diversos ventos dando as velas. Que grandes escrituras que deixaram ! Que influição de sinos e de estrelas ! Que estranhezas, que grandes qualidades ! E tudo sem mentir, puras verdades.…e tudo que eu tinha a dizer, foi dito.











Quem disse: