Arquivo | novembro, 2008

Variação sobre o mesmo tema

30 nov

Há dias assim…
Penso-me alguém quase normal,
com pés no chão
e cabeça nas nuvens…Tudo bem!
Mas há o dia do reverso,

é uma loucura só:
Cabeça no chão e pés no céu,
…uma tortura!
Pareço-me ao contrário, pelo avesso!
Ou foi o mundo que virou ponta-cabeça.

A lógica evade-se
para longínquas regiões
e a fantasia assume o leme.
Já não respondo por mim
…mas gosto de estar assim.
A este posicionamento,
a este sentimento,
O Poeta chamou Floresta do Alheamento.
Voltar à realidade
é despencar sem paraquedas
de alturas infindáveis.
É suave saber que nada importa
nada merece atenção…
Nem mesmo espatifar-me no chão
– o que não vai acontecer porque
nem peso, no momento, pareço ter.

Meu quintal não tem sapoti mas tem roseiras e biribiri… mas como canta Fafá de Belém “quem for louco ou for poeta pode entrar, seja bem-vindo”

Conquista

28 nov

Conquista

Uma ciranda de pedras.
Caminho nada seguro
leva à terra prometida.
Sequeiro…e o outro lado convida…

Através do Rio Cachoeira,
a jornada.
Atravessar o mar vermelho.
Desafio !

Não uma simples aventura
…rigoroso rito de passagem.
Aurora da juventude.
Viagem de se fazer só
e conquistar com fé
o cetro da coragem.

Já na outra margem,
mais que um brado:
O suspiro e o iluminado sorriso
da vitória.

Nunca mais o temor.
Nunca mais a insegurança.
Nunca mais o medo.
À frente, a Vida !

Há, lá na juventude, momentos marcantes que, de repente, reaparecem com novo significado, que, nem de longe, se mostraram como epifania no momento em que aconteceram…A memória os reveste de filigranas e luzes, e eles se apresentam com nova roupagem…e se fazem signos e ícones de algo muito maior.

Assim foi a minha convivência com o Rio Cachoeira (hoje transformado em esgoto,da cidade vizinha à minha…Que pena !).Muitas vezes ele, o rio, me serviu de mestre. Feliz de quem “possuiu” um rio em sua infância e juventude. Voltarei a falar sobre ele…é o tributo que lhe pago por ter-me feito feliz, um dia…Sua bênção , querido amigo, que hoje deve fazer parte de algum museu no céu ( figura poética de Mário Quintana,meu também querido mestre e amigo).

Liberdade para as flores

26 nov


Liberdade para as flores

Nos jardins bem regulares,
projetados em métrica e rima,
flores são obedientes,
nem podem olhar para o lado.
São pelotões de soldados,
talvez jovens escolares,
trotando em marcha forçada.

Meu jardim não é assim.
Tem direito à liberdade.
As cores são misturadas,
perfumes entrelaçados,
uma mixórdia encantada.

É tudo tão caipira
tão louco, tão colorido,
tão risonho e espontâneo
-às vezes emurchecido-
que é retrato fiel,
definindo com presteza,
o inesperado da vida.

Minha poesia também é assim.

Comentário

Depois de quase um mês sem contato, devido ao tsunami que estragou a placa-mãe com tudo que ela representava, parece-me ser possível (nesse instrumento, não tenho certeza de nada!!) estar de novo no ar. Esta pequena poesia vai como teste e a grande rosa também. Recuso-me a escrever sem ilustrar… afinal, se as palavras não agradarem, a flor, certamente, agradará.

Espero contatos no haloscan para me estimular a continuar com vocês…o meu tesão, devido às intercorrências, está um pouco baixo. Como eu disse, “um pouco emurchecido”.

Espero também que, de agora em diante, as coisas corram mais tranquilamente!