SERTÕES…e SERTÕES

23 abr

É difícil para o nordestino que cresceu ouvindo “causos” de seca, de jagunços, de tropeiros e boiadeiros, com suas roupas de couro, cobrindo, como uma segunda pele, todo o corpo, evitando assim que dilaceradas fossem as carnes, pelos espinheiros da caatinga…é difícil imaginar os longes do cerrado.
Entretanto, por ali corre o São Francisco, misturando tudo: destinos, dores, sustos, esperanças…

No cerrado pode-se pensar em várzeas, serras, campinas, matas, riachos, lagedos, pensar em terras avizinhadas onde florescem, em abril, ciganinhas roxas, e a nhiíca e a escova, amarelinhas…e as caças…”a carne, de gostosa, diverseia.”
“Ouvir o trovão de lá, e retrovão, o senhor tapa os ouvidos, pode ser até que chore, de medo mau em ilusão, como quando foi menino.O senhor vê vaca parindo na tempestade.(…)A serra ali corre torta.”
E recordam-se terras outrora vistas e para onde se quer voltar.
“Perto de muita água, tudo é feliz.”

Qualquer nordestino cisma, invejoso de tais conhecimentos…
O cancioneiro nordestino é o lamento desejoso de outra sina.

(…) Pelas sombra do vale do ri Gavião
os rebanhos esperam a trovoada chovê
Num tem nada não,também no meu coração
vô ter relampo e trovão
minh’alma vai florescer
…………………………………………….
Meu dia inda vai nascê
E esse tempo da vinda tá perto de vim.
Campo Branco ( Elomar)

(…) a seca fez eu desertar da minha terra
mas, felizmente Deus agora se alembrou
de mandar chuva presse sertão sofredor
sertão das muié séria, dos home trabaiadô.
A volta da asa branca (Luiz Gonzaga)

O amor daqui de casa
tem um sentimento forte
Que nem gemido na telha
quando sopra o vento norte
Que nem cheiro de boi morto
três dias depois da morte
Quem só conhece o conforto
não merece boa sorte…
O amor daqui de casa (Gilberto Gil)

Em belíssima composição Chico César nos presenteou com imagens marcantes.
Na sua imaginação plantou sementes de mar, grãos de navegar, que iriam transformar o seu sertão…ondas, águas…“só de imaginar eu vi…”
Mas no seu desvario, na sua busca, em nenhum lugar, nada de achar o mar que semeou!…
” Mar que semeei, perdi!…”
Nada. Nada se realizou, nenhum mar floriu em seu sertão.
Numa constatação dorida ele concluiu:
“…como o amor que eu nunca encontrei, mas existe em mim…”

Faço coro com esse poetas:

Ah! meus loucos geniais
como me consolam
as vossas fantasias!

A nossa liberdade seminua
levanta sua bandeira
e aponta novo rumo.
Há um algo a conquistar…

O quê?
Não sei. Mas basta olhar
o entorno que nos coage,
nos sufoca e nos anula.
…E ouviremos a Liberdade
a gritar: “Reage!”

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19 Respostas to “SERTÕES…e SERTÕES”

  1. Renato Arléo 4 de março de 2010 às 21:24 #

    O quê?
    Não sei. Mas basta ouvir
    o abrir de uma garagem,
    nos maloca e nos futuca.
    …E ouviremos a Sacanage,
    a gritar: “Reagge!”

    Renato Arléo | 23.04.09 – 2:54 pm | #

  2. Bel 4 de março de 2010 às 21:24 #

    Hahahahah
    Como é que se comenta a sério depois de uma dessas de Renatinho???
    It’s impossible!!!

    Bel | 23.04.09 – 2:58 pm | #

  3. Dinah 4 de março de 2010 às 21:25 #

    LAMENTÁVEL!

    Dinah | 23.04.09 – 4:24 pm | #

  4. Renato Arléo 4 de março de 2010 às 21:25 #

    eu nem tinha lido nada do poema n levem em conta n foi mal

    Renato Arléo | 23.04.09 – 4:39 pm | #

  5. Renato Arléo 4 de março de 2010 às 21:26 #

    O EU-LÍRICO DO TEXTO VÊ SIMILARIDADES A ESTA MÚSICA:
    Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
    Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
    Você pode e você deve, pode crer
    Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
    Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
    Num quer dizer que você tenha que sofrer

    Até quando você vai ficar usando rédea
    Rindo da própria tragédia?
    Até quando você vai ficar usando rédea
    Pobre, rico ou classe média?
    Até quando você vai levar cascudo mudo?
    Muda, muda essa postura
    Até quando você vai ficando mudo?
    Muda que o medo é um modo de fazer censura

    (Refrão)
    Até quando você vai levando porrada, porrada?
    Até quando vai ficar sem fazer nada?
    Até quando você vai levando porrada, porrada?
    Até quando vai ser saco de pancada?

    (Repete refrão)

    Consigo emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar
    Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
    Não peço arrego mas na hora que chego só fico no mesmo lugar
    Brinquedo que o filho me pede num tenho dinheiro pra dar

    Escola, esmola
    Favela, cadeia
    Sem terra, enterra
    Sem renda, se renda. Não, não

    (Refrão x2)

    Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
    A gente muda o mundo na mudança da mente
    E quando a mente muda a gente anda pra frente
    E quando a gente manda ninguém manda na gente

    Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
    Na mudança de postura a gente fica mais seguro
    Na mudança do presente a gente molda o futuro
    (Refrão)

    Renato Arléo | 23.04.09 – 4:57 pm | #

  6. Renato Arléo 4 de março de 2010 às 21:26 #

    [Como eu disse, é o Eu-Lírico do texto, portanto, é opinião própria…]

    O texto está bonzinho, lí na íntegra.
    É aquilo, o nordeste vai descer… O mst tá aí pra quem quizer ver…
    Até quando você vai levando porrada…?

    Têm um texto de Veríssimo que eu gosto… O ‘Provocações’.

    Renato Arléo | 23.04.09 – 5:02 pm | #

  7. Renato Arléo 4 de março de 2010 às 21:26 #

    Link do texto:
    http://www.cecac.org.br/ MATERIAS…LFVerissimo.htm

    Enfim, é minha deixa… Adeus pessoal, vou ver se eu ainda tenho contato com a minha ”turminha da bagunça”, a qual eu desde o 1o ano deixei de falar…
    Até quando você vai levando?

    Nãão, acho melhor não, com certeza não quero nem chegar perto da turma da bagunça… É aquilo, diga-me com quem andas e eu te direi quem és…
    Prefiro continuar com os CDF’s, inteligentes, pessoas com bom caráter, e que querem algo na vida…
    Até quando você vai levando?

    Adeus, pessoal… Valhe a pena refletir sobre este texto de Veríssimo. E o de Dinah também… Até quando você vai levando?

    É por isso que eu vou fazer minha parte aqui, e vou sair deste ÓCIO, como foi citado no segundo post do HaloScan…
    Pois ele é um câncer, é a cabeça vazia, é a oficina do diabo.
    Até quando você vai levando?

    É o computador, é a falta de estudo, é o filme, é a não-leitura… É tudo, tudo é uma grande bobagem. Não há mais futuro para mim aqui. É a cabeça vazia, é a oficina… É isso que cega e não nos faz perceber o limite das brincadeiras… Que vergonha.

    Pois agora gritarei: “Reage!”

    ´´Até quando você vai levando porrada?´´
    Cabeça vazia nunca mais.

    Até quando eu ficarei sem vir aqui?

    Até os moinhos pararem de se mover por águas passadas… Até a sombra do passado não existir na vergonha. Até esse câncer for curado.
    Até quando você vai ?

    Adeus,
    Renato Arléo.

    Renato Arléo | 23.04.09 – 5:19 pm | #

  8. Dinah 4 de março de 2010 às 21:27 #

    Não quero você desaparecido…Quero esse meu Renato capaz de pensar e refazer, refazendo-se…
    Vê de que você é capaz???

    E confiando sempre, sempre, sempre em você que lhe rogo:não desapareça.
    Você e Sandrinha me trazem de volta os meus alunos , dos quais tenho muita saudade.
    Eles também eram assim: às vezes a irreverência extrapolava, mas do meu coração e da minha órbita eu não os deixava fugir…e eu te amo, te amo, te amo…

    Sem vocês isso aqui fica muito “museu”…

    Estou quase, chorando…Ultimamente não tenho ido muito ao país das lágrimas…sei que peguei pesado, mas suponho
    tudo acontece para que aprendamos alguma coisa de positivo…

    Meu beijo super-carinhoso.

    Sua vó que muito te ama.

    Dinah | 23.04.09 – 7:46 pm | #

  9. Renato Arléo 4 de março de 2010 às 21:27 #

    Tá, tá bom… hehehe

    Coitado do pobre Herry, e a Dinah Dragão.
    Ele não sabe é que teve um tesouro mais belo que o ouro, e que o poderia ter ensinado milhões de coisas!

    Ahhh, a senhor entrou no país das lágrimas sim, e porque não dizer: QUE LINDO!

    Te amo muito também vovó. 😀

    Renato Arléo | 23.04.09 – 8:24 pm | #

  10. Renato Arléo 4 de março de 2010 às 21:28 #

    Ah, sim… o Rap é do Gabriel, O Pensador!
    hehe… eskecí os créditos.
    e, o nome da musica é Ate quando?

    Renato Arléo | 25.04.09 – 2:12 pm | #

  11. Liane 4 de março de 2010 às 21:28 #

    Aviso aos navegegantes:

    Lamentavelmente, o computador de Dinah PIFOU !!! O técnico só poderá fazer o diagnóstico semana que vem (talvez na segunda). Enquanto isso, podemos continuar na ativa por aqui.

    Liane | 25.04.09 – 4:05 pm | #

  12. Jucemir 4 de março de 2010 às 21:31 #

    Até que enfim alguém deu sinal de vida. O playground estava parecendo uma necrópole.
    ………………………………..

    “eskecí os créditos.”

    Sei…
    ……………………………….
    Prece a Exu – aquele que abre os caminhos e toda gira de orixás:

    Pai Exu, fazei com que o encosto não esteja na placa mãe; que seja trabalho fácil de reverter, coisinha fácil de mau contato, só um pouquinho de poeira nos encaixes.
    Pai Exu, Dinah não merece tanto estresse.
    (Será que Dinah está em dia com as comidas e os presentes?)
    Que não seja necessária a intervenção da Mãe Bel de Oxumaré…Imagina: botar a CPU no carro e dirigir até Ilhéus passando por toda sorte de veredas e bandoleiros de beira de estrada.
    [KKKKKKKKKKK!!!!!!!!Anabel vai me matar.]

    Laroiê, Exu.

    Jucemir, filho de Obá e Obaluaiê (e ateu de carteirinha).

    Jucemir | 25.04.09 – 8:53 pm | #

  13. Rejane 4 de março de 2010 às 21:31 #

    “Perto de muita água tudo é feliz”.

    Eu concordava, mas hoje, pensando melhor, vendo a situação de Santa Catarina com as enchentes do ano passado, acho que melhor seria dizer: Perto da água tudo é feliz. Tiraria o “muita”.

    Penso que vivemos num país privilegiado, com clima bom, sem muitos extremos, exceto a seca do nordeste. Mas esta poderia ser amenizada se tivesse vontade política dos governantes, que não existe. O lençol de água que passa embaixo do solo nordestino é abundante em água. Não há necessidade de se transmutar o rio S. Francisco. Mas se não o fizerem como é que vão meter a mão na dinheirama que vai correr solta?

    Abs

    Rejane | 26.04.09 – 1:16 pm | #

  14. Jucemir 4 de março de 2010 às 21:31 #

    Para Rejane.

    O que é vontade política?

    Jucemir

    Jucemir | 27.04.09 – 5:58 pm | #

  15. Rejane 4 de março de 2010 às 21:32 #

    Vontade política é o nome que dão ao QUERER verdadeiro dos políticos em resolver uma determinada situação. Na verdade eles não querem resolver o assunto de uma forma mais econômica. O “bom” é fazer obras faraônicas, que consumam milhões e milhões, pois assim fica mais fácil embolsar algum. Veja o exemplo de Israel. Dinah conhece (pois já foi lá) de perto o sistema de irrigação daquele país, em uma região desértica onde se planta e se colhe muito bem. Aqui não interessa aos políticos fazer algo parecido ou furar poços para irrigação. Nosso lençol freático é muitíssimo maior. Mas qual é a graça em inaugurar um sistema de irrigação por gotejamento? Ou poços? Não fica bem na televisão ou jornais. O bom mesmo é fazer uma obra faraônica para depois dizer ” fui eu que fiz”. O resultado é duvidoso. Não se sabe se compensará o custo-benefício. Além do impacto ambiental em se fazer a transposição do rio São Francisco. É a minha opinião.

    ========================

    Ontem foi um dia especial para nós.
    Após dois anos de muito trabalho finalmente foi inaugurado um grande empreendimento aqui em Salvador.
    Estou feliz!

    Abraços a todos

    Rejane | 28.04.09 – 8:51 am | #

  16. Dinah 4 de março de 2010 às 21:32 #

    Na época em que vivemos “o bonito”e, se possivel “o lindo”, é sempre algo bem-vindo. Talvez para compensar tanta “feiura” que nos incomoda…e que não podemos esquecer.

    Assim que estive ontem na inauguração do Shopping Paralela e ficou constatado que o ser humano tem inspirações “divinas” e mãos mágicas.

    Sem apurar o valor dessa orientação
    (consumismo), não se pode negar:
    O SHOPPING é UM ARRASO!!!!!

    É algo faraônico e dá um prazer enorme dizer:
    “Fui eu que fiz!”

    Eu, da minha parte fico orgulhosíssima de Renato, meu genro, ter participado daquele empreendimento.

    E saber que o Duomo de espelhos foi totalmente construído aqui mesmo em Salvador!

    Sabe-se que todas as nossas “castas” serão contempladas nos seus interesse consumistas…há “mercadoria” para todos…
    A mim , me encantou a arte com que foi feito…Parabéns a todos os projetistas, os operários, os jardineiros, os construtores de tal obra de arte.

    Meus olhos ficaram encantados.

    Dinah | 28.04.09 – 4:37 pm | #

  17. Jucemir 4 de março de 2010 às 21:33 #

    Para Rejane.

    Concordo com a descrição, contudo, discordo da expressão. Vontade política é o que não falta aos cleptocratas.

    Jucemir

    Jucemir | 28.04.09 – 6:58 pm | #

  18. Bel 4 de março de 2010 às 21:33 #

    Uau! Eu quero ir aí, ver o computador de Dininha e o shopping Paralela!!
    Quem me leva???

    (Recebi o e-mail… fiquei sem ter o que responder.)

    Saudadeeeeeeeee

    Bel || 30.04.09 – 8:35 pm | #

  19. Dinah 4 de março de 2010 às 21:33 #

    A ” Pensão Suave ” está sempre aberta a você “e a quem mais vier”…você sabe disso…
    Beijo, com saudade.

    Dinah | 30.04.09 – 10:31 pm | #

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