Embarcando nas águas do Amor

6 jun

E lá vamos nós embarcando nas águas do AMOR, o mais antigo e constante tema dos poetas…Não existindo o AMOR,os poetas teriam que se calar.

Que restará de humano, ao mundo,
se o poeta abdicar do ofício?
Mesmo que o amor, desolado,
tenha abandonado a Terra,
o fingido amor do poeta
é brado de resistência,
prova consistente, sólida, evidente
de que, um dia, houve gente.

Entretanto, às vezes, o próprio poeta vacila…

SORTILÉGIO

Que sortilégio trágico e funesto
Procurarprocurar…procurar…
Haverá mais dramático destino?
Correr a vida com olhar sedento,
desejo ardente de achar o amor,
poder tocá-lo, sentir seu calor…
E ver a taça transbordar, em festa!

Se, em céu de Deus, o amor se manifesta
por que se esconde ele sobre a terra?
Por quais veredas, sombras ou florestas,
em que caverna escura fez seu ninho?

Amor, por Deus, responde ao meu anseio!
Ando secando em áridos caminhos…
Mas nessa estrada, sei, não vou sozinho.
Multidões de fantasmas peregrinos
também anseiam pelo amor primeiro.
Também se envolvem em trágico destino:
Poder, às vezes, vislumbrar o sonho
e jamais tocá-lo em susto verdadeiro.


Um dia, o inesperado causa uma surpresa…e tudo muda. Ou parece mudar.

A Festa

…e o milagre se vê acontecendo…
Emerge do Hades a alma sucumbida.
…De novo aos céus em busca da amplidão
a lua nova inspira crescimento.
Quarto-crescente enche, de novo, o espaço.

Há um balão inflando-se de gozo.
A sinfonia vem trazendo risos
O ar espalha perfume amadeirado,
e as borboletas dançam a música do amor
De novo o sol enternecido,
por entre nuvens brancas e azul profundo.
Há música, sim, há Deus no mundo.
A esperança volta a triunfar.

A primavera chegou em calendário louco
…um envolvente esplendor.
No ar, um canto de anjos,
e há cores em cada canto
…e se fez presente a festa!
Em tudo brilha inesperada chama!

Mas…por quê?…por quê?… por quê?…
Porque o meu amor me disse:
” Te amo!”

( Mentira?…Logro?…Ilusão?…
Oh, Deus! Não importa!
Esta é a senha da ressurreição!)

Confirmando o que lhe parece ser A Verdade, o poeta continua:

AMAR, SEMPRE!

Sem amor, ninguém é feliz.
Somente amando é possível tocar a felicidade.
(
Qualquer especie de amor vale a pena?)

Como a pele e a polpa do caqui
A pálpebra e o olho,
O ritmo e a poesia,
a parceria do amor com a alegria
é dupla insuperável
inseparável
inigualável.
Amar o inusitado,
Amar em volta…e o centro.
Entrar no jogo da sedução
e se permitir queimar as mãos
(mas, nunca o coração!)
Amar a algazarra ingênua
dos periquitos, das maritacas,
Ah, sim…e das crianças.

Amar o som do trombone
e o canto das sereias.
Amar a mágoa das lembranças.
Acalentar as lágrimas antigas
e delas poder sorrir.
Só o amor consagra esse milagre.

O amor dá colorido
a um passado sombrio.
Na melodia do amor
é que a alegria vem…Amar alguém!

Amar é redenção
é reconstrução
é alucinação.

No labirinto do amor, entretanto,
é indispensável o fio de Ariadne.
Sem ele corre-se, não só riscos, mas perigo!
O risco de conhecer a profundidade do oceano
E o perigo de jamais voltar à tona…

Entre a felicidade e o infortúnio
é preciso saber viver.
Amar, sim, sempre!
Mas conservar a lucidez…
Com a astúcia de um jogador de xadrez!

Olhos abertos às veredas do fingimento.
Intuir a cilada das palavras bonitas, porém falsas.
Estar atento, atento, sempre atento
aos lances traiçoeiros, ao passo em falso,
Ao fosso que se abre em escancaradas bocas
para engolir o incauto amante.

Amar, sempre! Sempre! Até certo ponto.
Sem abrir mão do juízo…
E mentir, também, se for preciso…

***************************************************
Huumm! Parece que a poeta se encontra sob a ação e os efeitos de intensos desenganos amorosos…Será?! Não creio.
É apenas a alma lírica ou romântica querendo se expressar… Será?!






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9 Respostas to “Embarcando nas águas do Amor”

  1. Bel 4 de março de 2010 às 19:28 #

    Primeironaaaa!!!

    Eu já nem sei mais o que dizer acerca desse “eu lírico”… Mas, quer saber? Acho que o AMOR habita o coração do poeta, e não dá pra negar!

    Beijoooooo

    Bel | 06.06.09 – 10:22 am | #

  2. Dinah 4 de março de 2010 às 19:29 #

    O mínimo que podemos fazer para nos sentirmos felizes é AMAR O AMOR!!!!!!!

    Dinah, a romântica (Cruz Credo!!!!!)

    Dinah | 06.06.09 – 1:30 pm | #

  3. Rejane 4 de março de 2010 às 19:29 #

    Huuummm! Amar a algazarra das crianças? Sei não. Depende. De vez em quando, tudo bem. Mas, e todo dia?

    É melhor ser alegre que ser triste…
    Amemos a vida!
    Bjs

    Rejane | 06.06.09 – 11:26 pm | #

  4. Jucemir 4 de março de 2010 às 19:29 #

    “No labirinto do amor, entretanto,
    é indispensável o fio de Ariadne.”
    Quem leva um fio de Ariadne para o labirinto do amor é um medroso que desmerece a fortuna (e mesmo toda possibilidade do poético infortúnio).É alguém que quer cercar-se de todas as garantias.É como contratar uma apólice de seguro antes de uma perigosa aventura.
    Mentalidade burguesa?
    É, de certa forma, uma tentativa de vencer a Marquesa de Merteuil e o Conde de Valmont em seu próprio território. Por que não seduzi-los?
    Decida-te: Chordelos, Dostoievski, Goethe, Machado, Florbela…
    ………………………………………….. ………….

    “Mas conservar a lucidez…
    Com a astúcia de um jogador de xadrez!”
    Por que só se pensa em jogo de xadrez quando se quer fazer uma analogia com o amor?
    Cada caso é um caso: tem pôquer, bridge(um triângulo amoroso, se pensarmos no dummy, que apenas assiste o desenrolar da aposta), sueca, gamão, dados, um milhão de wargames, além do xadrez.
    (O último poema é excessivamente didático.)
    ……………………………..
    Tudo isso por causa de um clássico literário do século XVIII?

    Jucemir

    Jucemir | 07.06.09 – 6:44 pm | #

  5. Tucha 4 de março de 2010 às 20:42 #

    O clima do dia dos namorados chegou no vamos cirandar. Salve o amor!
    tucha | 07.06.09 – 11:04 pm | #

  6. Dinah 4 de março de 2010 às 20:43 #

    Para Tucha:

    Claro!! É um clima ameno , salutar e ,
    muitas vezes rigoroso, ou tumultuado!!!
    Mas vale se estar sempre ENAMORADO.
    mesmo que não haja NAMORADO!

    Beijo!

    Dinah, sempre enamorada!
    Dinah | 08.06.09 – 8:50 am | #

  7. Renato Arléo 4 de março de 2010 às 20:43 #

    Vou passar o dia dos namorados sem a minha =/
    Vou viajar para Ilhéus quinta… Que pena!!! =/

    Renato Arléo | 08.06.09 – 9:03 pm | #

  8. Dinah 4 de março de 2010 às 20:44 #

    Dia de Santo Antônio, aquele português que, segundo o mito vigente, se ocupa com o coração dos jovens (…ou não!).
    Essa vai para quem tem um amor:

    Estar contigo é como brincar de roda
    ou brincar de esconde-esconde.
    É sentir outra vez
    o gosto de algodão doce
    ou roubar frutas em pomar alheio.
    É reconquistar a infância
    e refazer o sonho.
    E poder rolar na relva
    para sentir na pele
    o toque do capim molhado.

    É reconstruir a inocência
    e retomar nas mãos
    a pureza do mundo…

    É ter certeza
    de que nem tudo está perdido
    É confiar que tudo ainda tem jeito.

    Dinah | 13.06.09 – 12:05 pm | #

  9. Dinah 4 de março de 2010 às 20:44 #

    Agora para quem não tem a quem dirigir seu carinho:

    TANTO FAZ…

    Já consigo passar pinguelas
    sem molhar os pés
    …pular restos de fogueira
    sem me queimar
    …já posso invadir florestas
    sem perder o rumo
    …despencar no vácuo
    sem perder o prumo.

    Mais um pouco
    – apenas mais um pouco-
    e me farei intocável.

    Mais um pouco,
    apenas mais um pouco,
    e saberei viver sem ti.

    ******************************

    Bobagem! Mais um pouco, apenas mais um pouco, e aparecerá alguém…
    Podes crer!

    Dinah | 13.06.09 – 12:13 pm | #

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