Arquivo | agosto, 2009

PRINCÍPIO da MUDANÇA

31 ago

Talvez o que escrevo agora tenha pouca coerência. Não me importo… Vou seguir o meu pensamento. Em nenhuma direção a que dirijo o meu olhar, encontro coerência, logo…
Primeiro quero agradecer à minha geração por ter cantado ” o amor, o sorriso e a flor…” Em tempo de aridez descontrolada é muito bom saber que isso já foi possível. Lá ” a tristeza da gente era mais bela…Era como se o amor doesse em paz…nem [se] sabia a que ponto a cidade [ o país… o mundo…] turvaria esse rio de amor que se perdeu…”


No momento em que vivemos, uma coisa é certeza, é exigência, é urgência : a mudança!

Já vivi tempos de exaltação e fúria, quando escrevi:

Quero visões incendiárias.
Quero vislumbrar o que virá.
Serão as cinzas do presente
o embrião da fênix futura?
Escombros serão o germe, a semente?

Diante do eterno
a aventura está apenas começando.

Cegos,
não vimos o que deveríamos ter visto.
Os padrões nos escaparam,
neles se encontra o sentido da existência.
É preciso considerar urgente
sob nova luz, sob nova lente,
e dar o salto que não soubemos dar.

Não vês o novo sol surgindo?

A mola soltou-se com estrondo.
Há um vulcão em erupção.
Presente, no ar, a morte.
Nada ficará impune.
Desta vez é tudo ou nada.

Já não vale pisar
o chão que foi pisado.
Apenas vaga memória persiste.
É o adubo do novo que consiste
na nova realidade ainda envolta
pela película do sonho
prestes a se romper.

O pesadelo acabou?
Há uma criança a nascer?

E o meu olhar visionário pressentia um futuro promissor…


Quero mãos fortes agindo
arrancando a dor do mundo
Trilhar com os que não desistem
e não desertam da luta.
Estar entre os fortes que insistem.

Só eles suportam espinhos.
Nada os faz retroceder
São o sal, a pureza, o fogo,
irradiação poderosa
que se eleva em espirais,
rompendo os próprios limites,
se expandindo mais e mais…

(Anseios)


Pudesse eu
tomaria em meus braços
todo o sofrimento humano
e o acalentaria
como quem consola
um filho enfermo e pequenino.
E cantaria baixinho
até ver secar a última lágrima.
E tudo encontraria outro destino.
E agora poderia murmurar
no meu último poema:
– Vivi. Valeu a pena.

(Último Poema)

Em outros momentos, a lucidez e a humildade traziam-me de volta à realidade e…

Na justa dimensão

Um dia (que pretensão !)
Quis consolar o mundo
e aplacar a sua dor
para só então sentir
que não vivi em vão.

Hoje vejo-me a pedir perdão
pela estúpida ambição
– Humildade ou lucidez
(como a canja de galinha)
a ninguém traz dissabor.

Basta, ensinou-me Emily,
suavizar somente uma dor.
Um gesto a evitar
que um coração se parta.
Levar um único passarinho
a retornar ao ninho
e terei encontrado
o caminho que faz o viver justificado.

O melhor é seguir o conselho de Toquinho e Vinícius (Carta ao Tom):

“É meu amigo, só resta uma certeza
É preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar de novo o amor.”

De minha parte, tenho algo a fazer…
Uma construção em seu entorno, destruiu totalmente o nosso jardim.
É preciso que eu o reconstrua.
Já comecei…não desisto fácil!


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RUBEM ALVES…UM COMPANHEIRO…

20 ago

Estamos próximos de completar um ano de conversas, e nesse tempo a fidelidade à POESIA é indiscutível.
Aqui não cabem discussões políticas, nem econômicas (Deus nos livre de comentar a Bolsa ou a crise mundial…que outros o façam…), nem tocamos em assuntos de moda ou atualidades sociológicas…Qualquer que seja o tema enfocado tem que estar enraizado na POESIA. Só na POESIA !
Mas…semana passada, fiz uma “reportagem”…e, nela, a POESIA entrou implícita…se encontrava no clima que envolveu o evento.

Hoje vou, de novo,afastar-me um pouco da minha companheira de viagem e repassar para vocês, uma CRÔNICA…Não minha, mas de Rubem Alves…um também companheiro de longas datas.
Seus livros têm sido, para mim, uma “pedra de toque”, uma lanterna, uma música de fundo, um terreno firme.

Dedico a postagem de hoje, especialmente a Luísa…Ela acabou de ler “As Mil e uma Noites”…e, se não puder ser agora ( devido à idade), ela precisa ir fundo no seu significado, então guarde a mensagem para o momento propício . É aí que entra a lanterna de Rubem Alves. Com ele, a palavra.

AS MIL E UMA NOITES

Estou me entregando ao prazer ocioso de reler As mil e uma noites. O encantamento começa com o título que, nas palavras de Jorge Luis Borges, é um dos mais belos do mundo. Segundo ele, a sua beleza particular se deve ao fato de que a palavra mil é, para nós, quase sinônimo de infinito.” Falar em mil noites é falar em infinitas noites. E dizer mil e uma noites é acrescentar uma além do infinito.”

As mil e uma noites
são a história de um amor – um amor que não acaba nunca. Não existe ali lugar para os versos imortais do Vinícius (tão belos que o próprio Diabo citou em sua polêmica com o Criador): ” Que não seja eterno, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure…” Estas são palavras de alguém que já sente o sopro do vento que dentro em pouco apagará a vela: declaração de amor que anuncia uma despedida.

Mas é isto que quem ama não aceita. Mesmo aqueles em quem a chama se apagou sonham em ouvir de alguém, um dia, as palavras que Heine escreveu para uma mulher: “Eu te amarei eternamente e ainda depois.” É preciso que a chama não se apague nunca, mesmo que a vela vá se consumindo. A arte de amar é a arte de não deixar que a chama se apague.Não se deve deixar a luz dormir. É preciso se apressar em acordá-la (Bachelard). E, coisa curiosa: a mesma chama que o vento impetuoso apaga, volta a se acender pela carícia do sopro suave…

As mil e uma noites são uma história da luta entre o vento impetuoso e o sopro suave. Ela revela o segredo do amor que não se apaga nunca.

Um sultão, descobrindo-se traído pela esposa a quem amava perdidamente, toma uma decisão cruel. Não podia viver sem o amor de uma mulher. Mas também não podia suportar a possibilidade da traição. Resolve, então, que iria se casar com as moças mais belas dos seus domínios, mas depois da primeira noite de amor, mandaria decapitá-las. Assim o amor se renovaria a cada dia em todo seu vigor de fogo impetuoso, sem nenhum sopro de infidelidade que pudesse apagá-lo. Espalham-se logo, pelo reino, as notícias das coisas terríveis que aconteciam no palácio real: as jovens desapareciam logo depois da noite nupcial. Xerazade, filha do vizir, procura então o seu pai e lhe anuncia sua espantosa decisão:
desejava tornar-se esposa do sultão. O pai, desesperado, lhe revela o triste destino que a aguardava, pois ele mesmo era quem cuidava das execuções. Mas a jovem se mantém irredutível.

A forma como o texto descreve a jovem Xerazade é reveladora. Quase nada diz sobre sua beleza. Faz silêncio total sobre o seu virtuosismo erótico. Mas conta que ela lera livros de toda espécie, que havia memorizado grande quantidade de poemas, e narrativas, que decorara os provérbios populares e as sentenças dos filósofos.

E Xerazade se casa com o sultão. Realizados os atos do amor físico que acontecem nas noites de núpcias, quando o fogo do amor carnal já se esgotara no corpo do esposo, quando só restava esperar o raiar do dia para que a jovem fosse sacrificada, ela começa a falar. Conta histórias. Suas palavras penetram os ouvidos vaginais do sultão. Suavemente, como música. O ouvido é feminino, vazio que espera e acolhe, que se permite ser penetrado. A fala é masculina, algo que cresce e penetra nos vazios da alma. Segundo antiquissima tradição,
foi assim que o deus humano foi concebido: pelo sopro poético do Verbo divino penetrando os ouvidos encantados e acolhedores de uma Virgem.

O corpo é um lugar maravilhoso de delícias. Mas Xerazade sabia que todo amor construído sobre as delícias do corpo tem vida breve. A chama se apaga tão logo o corpo se tenha esvaziado do seu fogo. O seu triste destino é ser decapitado pela madrugada: não é eterno, posto que é chama. E então, quando as chamas dos corpos já se haviam apagado, Xerazade sopra suavemente. Fala. Erotiza os vazios adormecidos do sultão. Acorda o mundo mágico da fantasia. Cada estória contém uma outra, dentro de si, infinitamente. Não há orgasmo que ponha fim ao desejo. E ela lhe parece bela, como nenhuma outra.
Porque uma pessoa é bela, não pela beleza dela, mas pela beleza nossa que se reflete nela…

Conta a história que o sultão, encantado pelas estórias de Xerazade, foi adiando a execução, por mil e uma noites, eternamente e um dia mais.

Não se trata de uma estória de amor, entre outras. É, ao contrário, a estória do nascimento e da vida do amor. O amor vive neste sutil fio de conversação, balançando-se entre a boca e o ouvido. A Sônia Braga, ao final do documentário de celebração dos 60 anos do Tom Jobim, disse que o Tom era o homem que toda mulher gostaria de ter. E explicou: “Porque ele é masculino e feminino ao mesmo tempo…” O segredo do amor é a androgenia: somos todos homens e mulheres, masculinos e femininos ao mesmo tempo. É preciso saber ouvir. Acolher. Deixar que o outro entre dentro da gente. Ouvir em silêncio. Sem expulsá-lo por meio de argumentos e contra-razões. Nada mais fatal contra o amor que a resposta rápida. Alfange que decapita. Há pessoas mais velhas cujos ouvidos ainda são virginais: nunca foram penetrados. E é preciso saber falar. Há certas falas que são um estupro. Somente sabem falar os que sabem fazer silêncio e ouvir. E, sobretudo, os que se dedicam à difícil arte de adivinhar: adivinhar os mundos adormecidos que habitam os vazios do outro.

As mil e uma noites são a história de cada um. Em cada um mora um sultão. Em cada um mora uma Xerazade. Aqueles que se dedicam à sutil e deliciosa arte de fazer amor com a boca e os ouvidos (estes órgãos sexuais que nunca vi mencionados nos tratados de educação sexual…) podem ter a esperança de que as madrugadas não terminarão com o vento que apaga a vela, mas com o sopro que a faz reacender-se.

…E nada mais precisa ser dito…

Um evento maravilhoso – COM UPDATE: FOTOS!

12 ago

Uma tarde-noite de se guardar com carinho:
7º Festival Canta Villa do Colégio Villa Lobos.

Eu, avó, platéia, buscando analisar, de forma crítica e sincera, o desenrolar do espetáculo.

Em dois horários – o vespertino, Categoria Infantil – acolheu os alunos até o 4º ano Fundamental – com crianças até 10 ou 12 anos.
O horário noturno comportava os adolescentes, dos 13 anos até os alunos do 2º ano Médio.Dentre eles ( e todos muito compenetrados

do papel que viviam), muitos artistas.

Seriam promessas de futuros profissionais da arte de cantar?

Não importa! O que realmente importa é este momento presente, pleno de entusiasmo e vontade de agradar.
A platéia, de pais, professores, colegas, amigos, parentes e simpatizantes (sem esquecer o júri), estava ali para valorizar o dom de um

momento especial…e ela, a platéia, cumpriu com muito gosto o seu papel.Muitas vezes chegou ao delírio nos aplausos aos seus favoritos.

Fala a avó, evitando ser ” coruja”: numa seleção prévia, João(10 anos), Sandra (13 anos) e Renato( 16 anos),foram aprovados, o que deixou a família muito feliz. Só isto já nos teria deixado satisfeitos, mas eles foram além e se viram entre os cinco primeiros colocados de cada grupo, com direito a troféu e à participação do CD comemorativo.É demais para o coração de uma avó “tiete”!!!

Dou a palavra a Jucemir, um amigo da família, que não esteve presente por motivos óbvios (mora no Rio de Janeiro) mas que participou “por tabela” ao escutar o relato que lhe fiz, com muito gosto e detalhadamente…

– Já me informaram do sucesso da tarde-noite. Johnnie errou – repetiu indevidamente um trecho da letra – mas olhou firme o maestro e segurou a peteca, e tu,[Sandrinha], injustamente ficaste em 5º lugar. Júnior americanizou-se , mas se saiu bem. O relato fiel de Corujavóvis foi tão colorido que a flor [atirada por Sandrinha,à platéia], acabou caindo… Imagine… no meu quintal.

Quem sabe eu esteja na platéia no próximo festival?

Os garotos estão pretendendo colocar, na internet, o acontecimento. Esperemos…

Impressionou-me , sobremaneira, a escolha do repertório. A MPB foi ovacionada em pérolas como:

* Amor pra recomeçar (Frejat) , defendida por João Arléo
* Tarde em Itapuã
* Sá Marina, defendida por Pedro Tupinambá – 1º lugar infantil
* Xote das Meninas
* É preciso saber viver
* Não deixe o samba morrer
* Aquele abraço/Trem das onze/O samba da minha terra/ Sangrando
* O bêbado e a equilibrista/ Sampa/ Wave
* Como nossos pais (Belchior), defendida por Ester Teixeira- 1º lugar
* Sonhos( Peninha), na voz de Sandra Hoisel Arléo

Renato cantou e tocou (no violão), a música ” Sweet child of mine”, com mais três colegas:Thiago Alvim, Everton Luiz e Luana Miranda, excelentes como vocais, flauta e guitarra.Ficaram com o prêmio ” DESTAQUE”.
A Luana também conquistou o segundo lugar (intérprete) com “Hurt”.

Preciso dedicar algumas palavras aos artistas “lá de casa”…


João esteve incrível no domínio do diálogo com o maestro, na ponta dos seus olhares significativos…Não perdeu, em nenhum momento, o controle da sua apresentação.A letra de Frejat, difícil, não o intimidou e, do alto dos seus dez anos mandou ver…e convenceu! Sério e concentrado, sempre.


Renato, se apresentando pelo segundo ano consecutivo, mostrou um grande progresso no domínio do palco, do violão, da relação com seus companheiros, e até com a platéia… As garotas adoraram! Ele estava “livre, leve e solto”…Um amor!

Sandra pisou o palco, pela primeira vez, aos oito anos, e já levou
“Prêmio Revelação”, hoje transformado em “Destaque”.
A voz de Sandrinha surpreende a cada vez que que ela canta. Desde pequenininha! É uma voz grave, inesperada, suave… mas forte! Alcança notas baixas com facilidade e firmeza.
Seu quarto tem uma prateleira só para os troféus, já em número de cinco! O seu domínio de palco é de profissional…se fica nervosa não deixa transparecer. Passeia pela cena com uma segurança e elegância desconsertantes para uma figurinha de apenas 13 anos.

Na música “Sonhos” que defendeu, o seu rosto, sua expressão, acompanharam cada fase dos sentimentos revelados pelos versos.
Leveza, serenidade…”tudo era apenas uma bricadeira que foi crescendo, crescendo…” E a suave surpresa ao ver um grande amor surgir…
Quase sorriu ao afirmar “uma mudança muito estranha” no seu jeito de se dar, “quando a canção se fez mais forte e mais sentida”,e um leve sorriso aflorou em seu rosto “quando a poesia fez folia em sua vida”. Mas uma sombra cobriu o seu rosto ao reconhecer o momento em que se vê substituída no amor do seu amor…
Daí em diante, apenas o conforto de saber que, no futuro, certamente as coisas serão melhores e a felicidade está lá, esperando. A voz perde o ligeiro tom de tristeza e desabrocha plena de esperança, já envolvida em um clima de serena alegria.
Foi lindo! A platéia compreendeu e reagiu à altura…Num gesto definitivo, o cravo que lhe enfeitava os cabelos foi retirado e jogado aos participantes da platéia. Delírio total! Danadinha a garota!

Todos os participantes, inclusive a banda e o violoncelo (Eugênio – músico da Orquestra Sinfônica da UFBa), que acompanhou Sandrinha em “Sonhos”, todos eles, merecem os maiores aplausos.

Foi uma noite divina, inesquecível.



O Colégio, como sempre, merecedor de parabéns… Valeu, Amarante!

Em tempo: Carmem Miranda foi a homenageada do evento. Muito bem escolhido!

Que venham outros eventos como esse… Que o Villa provoque uma reação em cadeia… Os jovens merecem! E nós também…

Revelando Saberes…e Queixas

6 ago

Tenho sofrido horrores com as conexões desejadas para este blog e para os emails (enviados ou recebidos)São testes para avaliar meu equilíbrio emocional, que suponho estar (quase) perfeito: ainda não requisitei a camisa-de-força… E não adianta tentar o telefone para consertar as coisas…só piora!

Vamos voltar para o País da Poesia…”Lá sou amigo do Rei” e as coisas podem acontecer.

Tenho colecionado alguns saberes ao caminhar pela minha estrada e gosto de dividir com quem me ouve…

Vejam o que me ensinou a Cecília Meireles:

Mensagem a um desconhecido

Teu bom pensamento longínquo me emociona.
Tu, que apenas me leste,
acreditaste em mim, e me entendeste profundamente.

Isso me consola dos que me viram,
a quem mostrei toda a minha alma,
e continuaram ignorantes de tudo que sou,
como se nunca tivessem me encontrado.

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Também
eu, gostaria de deixar algo:


A BALANÇA

Para refletir a própria história
melhor usar o bom-senso:
Distância da balança da Justiça.
Aqueles dois pratos rigorosos
que, sem condescendência,
são juiz do acontecido.
Tribunal sem misericórdia,
sem contemplação, impiedoso,
contabiliza o sim e o não
medindo e pesando o que passou.

Em um dos pratos,
os gloriosos momentos…
No outro prato o desengano,
a dor, o sofrimento,
todos os mistérios dolorosos.
E a síntese da história
ali se vê retratada
trazendo trágico carimbo
marcado pelo selo do irremediável.

Ali não cabe
nem mesmo o arrependimento,
território vedado à esperança.
Pra que medir e contar
o que navega no oceano do sem jeito?
Para que reviver desilusões,
erros, desencontros,
decisões calcadas na estupidez?

Por ínfimo que seja o vir-a-ser
é lá que se projetam
as possibilidades…
De lá podem surgir compensações.
No que virá se forja o talvez…
Há o imponderável
Há o imprevisível
Há o inesperado
talvez tramando alguma teia…
Talvez boa notícia…
Sem que o saibamos, o inaudito…
Quem sabe…Talvez…

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Não basta refletir sobre o conteúdo existencial das poesias…É preciso perceber
a forma como o poeta se expressa. Vejamos:

As reticências

Ah!…As reticências
Bolinhas convenientes.
Pingos de pura magia.
Delas, trago os bolsos cheios.

Em vida sem consistência
delas me sirvo à vontade
para esconder confidências…
Para escapar da verdade…

São atalho por onde fujo…
Nelas me escondo, fingido,
pra não permitir confronto.

As reticências são tudo
que alguém, pressionado,
Usa para escapar, de pronto…

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Se os queridos amigos usarem de sinceridade, certamente vão concordar comigo e admitirão ser, também, devotos das Reticências, A Bruxa.

Em tempo – Há outra técnica também muito usada : Mudar de assunto.


Beijos.