Arquivo | julho, 2011

VITÓRIA de SAMOTRÁCIA

31 jul

Ficheiro:Daru staircase Louvre 2007 05 13.jpg

Há momentos na vida que assumem uma importância inexplicável. Assim foi aquele encontro entre a Vitória de Samotrácia e eu.

No Louvre, no grande espaço só seu, Ela, com suas asas abertas, anunciava bem mais que as boas-vindas aos visitantes.

Dela emana um protesto contra todos os limites. Ou o anúncio de que sempre se pode atingir algo além. Ou aquilo que seu próprio nome celebra: um grito de vitória.

Jamais esquecerei a emoção que senti ao vê-la soberba, magnífica, soberana, absoluta.´

Quisera vestir, por dentro, a Vitória de Samotrácia

Mulher vestida de água e vento,

Alada, livre, asas distendidas, pronta a romper limites

…e a seguir em frente, destemida.

Por fora seria eu mesma, ninguém desconfiaria.

Dentro, outro seria o meu cerne, força, impulso, valentia.

Fazer do impossível, possível, por puro arrebatamento.

Perder a cabeça, se preciso, na conquista da vitória.

Que vitória? Não importa!

Importa saber-se indômita…

Não temer o inacessível…até alcançar o inatingível.

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Com Walt Whitman

24 jul

De volta ao meu aconchego venho, na companhia de Walt Whitman, contar dois segredos que definem algo da minha maneira de ser. Ou será que estou enganada? Ou será que estou enganando vocês?

Walt Whitman (1819-1892) , poeta, ensaista e jornalista norte-americano, considerado como inovador e criador do “verso livre” e de desconhecido lirismo subjetivo,   fez da sua poesia um hino à vida.

Foi ele mesmo quem aconselhou:

“Não faça citações nem referência a outros escritores. Não entulhe o texto com coisa alguma, deixe-o fluir levemente como um pássaro voa no ar , como um peixe nada no mar.”  Como eu não escuto conselhos, divido com ele esta minha mensagem.

 Me disponho a passar para vocês

 O GRANDE SEGREDO

Foi há muito, muito, muito tempo atrás
que aprendi a ler e a escrever,
terreno onde a poesia, um dia, iria brotar.
 
No entanto, tantos anos se passaram
para que  alguma coisa viesse a acontecer.
Foi necessário uma vida, tanto caminhar,
rosário de vivências e…morrências,
Foi preciso aprender a enxergar
e só depois, com muita paciência, 
destilar, gota a gota,
o sumo das experiências
no licor da vida refletida.
 
Mas não é na palavra (nem dita nem escrita)
que o esplendor ocorre.
O grande segredo, suprema revelação:
É no silêncio que a minha alma fala…
É no silêncio que a tristeza morre…

Assim eu penso, assim eu escrevo. E vejam o que escreve o nosso poeta, acima citado:

“O dito e o escrito não provam quem sou.
Trago a plena forma e todo o resto em meu rosto.
Com meus lábios calados
confundo o maior dos céticos.” (W.W.)
 
“Eu me contradigo?
Pois muito bem, eu me contradigo.
Sou amplo, contenho multidões.” (W.W.)
 

E eu, poeta menor, o acompanho nas minhas contradições:

Sim, sou soma
Soma de sustos e de sombras
Soma de anseios e silêncios
Soma…Sonhos? Não mais que sopros
Sopros sumindo no horizonte
Horizonte sem sustentação
Estranha sensação
Onde o horizonte?
Onde?
 

Nana Caymmi em Ilhéus

10 jul

Não era preciso sofrer de nenhuma crise de profetismo para prenunciar: será ótimo!

E foi mais que ótimo, foi EXCELENTE ! Uma viagem pelo SENTIMENTO, o elemento mais humano de que somos constituídos.

Uma mulher extraordinária.

Numa época em que somente as top-models têm autorização para figurarem sob refletores, Nana vem mostrar que ser cantora, interprete, é outro departamento.

A platéia não negou o acolhimento. Integração total. O conteúdo do repertório e a forma de expressão da artista fizeram a noite ser (lugar comum) memorável, com gosto de “quero mais”.

Aquela mulher já, e não só, amou muito,  como ainda é um turbilhão de paixões.

Seu rosto, seus olhos, sua boca, suas mãos e sobretudo a modulação de sua voz deixam claro uma pessoa no domínio, ou melhor dizendo, dominada pelas experiências amorosas. E embarcamos com ela neste oceano de tormentos e glórias do Amor, puro e simples. Parece que ela ama O Amor. E nele mergulha sem medos.

Tudo isso independe de idade. Lembram Caetano quando canta sobre o artista?

“…o tempo passa e ele nunca envelhece”…É por aí que Nana passeia e nos leva consigo.

A apresentação começou com uma homenagem ao pai, sua primordial referência. Marina, Não tem solução, João Valentão, Nem eu, Dora, Só louco…

Depois se reportou a alguém que tem perdido, criminosamemte, o lugar na mídia. Cantou Por causa de você, Castigo…Quando retornarão aos poemas de Dolores Duran?

Aldir Blanc e Cristovão  Bastos receberam destaque: Resposta ao vento, Nossa canção, Contradições…Navegou pela cultura irmã nos poemas de Agustin Lara, até me apresentou letras que eu desconhecia.

E mais: Paulo César Pinheiro, o gigante da poesia, com melodia de Dori( Sem poupar coração), Roberto e Erasmo – Não se esqueça de mim.

Devagarzinho ela foi dando confiança à platéia, fazendo-a perder a timidez. A princípio esperava-se o final das músicas para aplaudir(muito)…aos poucos cantávamos baixinho…contudo, ao se aproximar o fim do show, o canto do “nosso coral” esteve pra lá de entusiasmado e cantamos na força da emoção: “Minha jangada vai sair pro mar…Eu sei que não estou sozinho…Resposta ao vento…”

E quem não chorou durante, creio que não resistiu a Charles Chaplin: “Sorri quando a dor te torturar”…com a qual ela pôs um ponto final. Mas prometendo voltar a Ilhéus.

Assim seja!

A minha noite terminou com  o show, tendo que me desculpar com a”thurma” que desejava esticar um pouco mais. Da minha parte, estava pra lá de satisfeita.

Aliás, se ela quisesse continuar cantando as tantas melodias das quais senti falta, eu ainda estaria lá, a ouvir.Como estou agora a ouvi-la pela internet.

Acalanto, Mudança dos Ventos,  Suave Veneno, Catavento e Girassol, Canção da Volta, No analices, Insensatez, Por toda a minha vida, e…e…e…é um não acabar mais…

Quem quiser saber mais leia o   deixoler.wordpress.com   de Anabel.

Até a próxima…Beijo.