Arquivo | novembro, 2011

Uma nova manhã

28 nov

Apenas uma segunda feira como tantas outras…e no entanto, quanta diferença!

O dia amanheceu tão lindo! Parece que somente hoje o Supremo Artista reencontrou a fórmula da manhã perfeita.

Após dias e dias, e mais dias ainda, de chuva torrencial, céu cinzento e doentio, uma melancolia generalizada ensombrecendo as plantas, o mar, os animais e as pessoas, enfim reaparecem o sol e um quase esquecido céu azul, num clima de renascimento envolvendo tudo.

As nuvens branquinhas percorrem o espaço numa brincadeira de crianças e a brisa suave acaricia, sem desmantelar, as flores e os cabelos.

 É como se as manhãs de setembro tivessem retornado…os pássaros recuperaram seus cantos e uma expectativa de esperança brota, com força, no coração das pessoas.

VAMOS CANTAR

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Quando a infância retorna

23 nov

Passei a manhã retirando a poeira da memória e deixando o pensamento vagar pelas boas lembranças  da infância.

Descobri que o melhor daquela fase não se encontra nas brincadeiras em grupo, mesmo tendo em conta os muitos irmãos e vizinhos, unidos por um tempo em que não havia televisão ou, mais grave ainda, o domínio do computador.

Era um tempo de convivência… À noite os adultos, sentados à porta das casas, numa conversa diversificada, esperavam o sono chegar. Não se descuravam, entretanto, do contato com as crianças que, em volta, brincavam em tal algazarra e com tanta animação que o banho, antes de dormir, se fazia absolutamente necessário.

O movimento era a alavanca das brincadeiras e o suor, o resultante…o banho era o preço  a ser pago , mesmo sob protestos. Picula, esconde-esconde,  corrupio, estátua,  senhora-dona-sancha, apareceu-a-margarida (“vou tirando uma pedra”, lembram?).

Uma pena: tudo sumiu pelo tubo da televisão e pelos fios do computador.

Mas não há ninguém preocupado com isso, afinal as academias se multiplicam em todas as esquinas e o exercício físico está garantido aos jovens e adultos…As crianças podem esperar a sua vez. Será isto mesmo? Ou também já foram “cooptadas” pelos múltiplos instrumentos ? “-Com bom senso, claro!!”

Até a bola e o campinho, quando existem, não se orientam para o simples divertimento; se definem como “campo de experimentação” para a descoberta de futuro$ talento$.

Os jovens já não têm o menor interesse por utopias de cunho social: estão ocupados demais na busca dos ideais que lhes são apresentados: Beleza, Poder e Riqueza.

Um Ideal com foco no altruismo desviaria a atenção do egocentrismo, e o próprio umbigo não ocuparia o centro do universo…coisa fora de moda!

Os centros de beleza se multiplicam por cissiparidade e às meninas é permitida a frequência com a mesma regularidade que às suas mamães.

As academias são a febre da vez e as pessoas as utilizam com devoção. São os templos de adoração do corpo e sua geração espontânea se faz em progressão geométrica. Como escapar disso?

O desejo de subir na escala social é impregnado na infância com o mesmo cuidado com que, há gerações passadas, se inoculava na criança a vacina contra a varíola.

A “objetofilia”- paixão desenfreada pelas coisas e a necessidade incontida de possuí-las, é a tônica da sociedade de consumo, não por acaso, a nossa .O valor da pessoa é medido pelo tanto que ela conseguiu conquistar e acumular durante sua vida. Quanto mais cedo começar, melhor!

Decididamente estamos longe da mentalidade socrática – quando Sócrates, passeando pelo mercado da Grécia, foi questionado sobre o que buscava, respondeu:

“Estou apenas observando quanta coisa existe que não preciso para ser feliz”

(Teria havido mesmo esse episódio? Se não houve, deveria ter havido!) Fico a imaginar o espanto do filósofo caso pudesse passear pelos shoppings de hoje…

Olha só! Somente agora reparei o quanto escapei do assunto que me propus a comentar : as melhores lembranças de uma infância em que muitas eram as crianças, e grande era o tempo disponível para o exercício da convivência. O tema vai ter que esperar para ser enfocado em outra oportunidade. Mas posso ir adiantando: a música recebia atenção especial. E, como sabemos, a música possui uma excelente função aglutinante…

Vamos cantar:

 

11 do 11 de 2011

1 nov

Desde sempre o ser humano sentiu a necessidade de medir o Tempo. Os ritmos da natureza serviam e ainda servem como referência para criar as medidas adequadas – o nascer e o pôr do sol, a época das chuvas ou do sol ardente, o movimento lunar e estelar, a transformação recorrente das plantas – como a mudança da flor em fruto ou o período em que o fruto está pronto para ser consumido, com sua cor e perfume tentadores… Tudo isto tem servido de medida pessoal,  desde as mais remotas culturas agrárias. Depois vieram os calendários,  para organizar  as coletividades melhor constituídas.

 Observar o tempo deve ter sido, também, uma forma magnífica de acompanhar a si mesmo, de ver-se e, lentamente, ir-se compreendendo como integrante da aventura Vida.

O nascer, certamente, é o instante da eclosão, da abertura triunfal de uma sinfonia única e intransferível. Tudo que vier a acontecer será em consequência desse momento.

Os místicos sabem, e buscam saber cada vez mais, acerca dos mistérios que envolvem esse acontecimento. Os cientistas também.

Contudo não é preciso ser muito curioso para intuir que a data 11 do 11 de 2011 é especialíssima e de forte apelo cabalístico, inspirando mágicas conspirações.

Como qualquer outro dia de qualquer outro tempo, seja passado, presente ou futuro, esse dia tem suas conexões e energias, suas coordenadas específicas e únicas, criando suas próprias causas (e efeitos) , influências e consequências, conquistas e derrotas…

É inegável: estamos diante de uma data especial.

Mesmo sem fazer parte da misteriosa fatia da humanidade que sabe ler nos búzios, nos astros, nas cartas,  nas vísceras ou nas runas , eu garanto que o espaço sagrado e místico está em festa.

Fadas, anjos,  santos,  duendes,  sacis, caiporas, orixás, ninfas e tantos outros elementais, seres mitológicos de todas as culturas, certamente  se confraternizam num grande sabá, aproveitando a beleza e a força da Lua cheia, no desejo divino  de que as energias benfazejas recaiam sobre o nosso mundo em geral , e em nossas vidas particulares, trazendo todos os benefícios possíveis. Que essas bênçãos recubram a nós todos e, em especial, aos que celebram seu nascimento nesta data.

Em Filosofia, a crise é o grande momento da superação.É o facho de clarividência que aponta novos caminhos ou nova maneira de caminhar. É a luz que esclarece as decisões e traz a força da conquista. O simples (ou complexo) fato de estarmos neste mundo já supõe  a existência do conflito.

No Mahabharata uma afirmação ( dentre todas que lá se encontram) se destaca:

“Não se pode escolher entre a paz e a guerra, mas entre uma guerra e outra.” 

Façamos bom uso das nossa escolhas pois uma coisa é certa: nós nos gastamos na dança do espaço – tempo. Não há como fugir.

Há algum tempo vi -me diante deste deus e consegui mergulhar um pouco no seu mistério, o que me valeu a reflexão:

Em que direção corre o tempo?
Para trás ou para frente?
 
O tempo não corre, tola.
Tu é que te enganas sempre,
pois o sempre te contorna,
te deixa tonta, sem leme.
Pensando que o tempo se move,
te moves, à toa, no tempo…
Passado, futuro, presente
são uma coisa,  somente.
 
O tempo que vês agora
é pingo de eternidade.
Mudasses tu  tua lente
chegarias à verdade
tão clara, tão  reluzente,
tão simples, tão evidente.

Vamos viver este dia com o cuidado de quem  o admite único e irreproduzível.