Arquivo | janeiro, 2012

Poeta? Nem tanto assim.

25 jan

Há poucos dias, um amigo (poeta não assumido), estranhando meu silêncio, escreveu-me:

“Seja dia de mormaço, faça sol, faça chuva, chuvisco, seja verão, veranico, degelo, caiam as folhas, haja tempestade de granizo, borrasca, nevasca, tsunami, terremoto, chuva de meteoros, vento solar, enchente levando tudo pelo caminho, apareça aurora boreal, caiam as folhas, nasçam novos brotos e apareçam botões novinhos em folha, pojadas ou fenecidas amoreiras…há que postar alguma coisa.

Tudo bem.

Mas – e eu tô avisando – se num belo dia aparecer por aqui ceciliameirelianamente dizendo:

 ‘Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa

Não sou alegre nem triste:

Sou poeta’ ,

eu vou dizer que não é bem assim.”

Pode ser…

Poeta? Nem tanto assim.

Apenas gotejo penas,

junto sílabas que choram…

Palavras que às vezes doem,

resíduos de sentimentos

…escapam sem consentimento,

sem querer ferir ninguém.

Barco cuja quilha encalha,

Rumo perdido e sem vento.

O cais, num zás! , evapora

– o barco que sai, não chega

porque ninguém o espera.

Assim as palavras soltas 

peneiram dor e tormento

em dia de aflição e mágoa.

Dia de tecer mortalha

e sufocar sofrimento.

Deixar que as penas se espraiem

e volte a soprar  o vento.

Mexer com nosso barco sem uma carta náutica confiável, esclarecedora das profundezas do oceano em que navegamos ?  Uma temeridade…que pode levar a uma situação desastrosa.

Se concordamos com Manoel de Barros:

“Sou um fazedor de frases.

O que é um verso?

É uma frase, uma unidade rítmica, que  tem como característica ser ilógica”…

então é fácil concluir:

Eu uso e até abuso da lógica. Busco insistentemente  o por quê  e o para quê  das coisas, levando (ou não) ao portanto e ao porquê. A dúvida é companheira e me perco no “…e se?”  Busco respostas…por diversão?…por necessidade?…angústias existenciais? …Sei lá!

O poeta sabe: a coerência  não é uma lei da vida. A harmonia, quando surge, é questão de sorte.

E, como saída,

vamos  “transver” a vida.

Suspira o Manoel…

“O beijo é uma forma de diálogo” (George Sand)  (ou Amandine- Aurore -Lucile Dupin).

Vale dialogar.

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José Martí e a Rosa Blanca

17 jan

Vale pensar em verdades nem sempre muito claras… mas a natureza nos ensina:

“Cultivo uma rosa branca
em junho como em janeiro
para o amigo sincero
cuja mão se estende franca.
 
E para o cruel que me arranca
o coração com que vivo
cardo nem urtiga cultivo:
Cultivo uma rosa branca.”
 
 

Convido a todos a cultivar um mundo de rosas brancas. Para quem não sabe, as rosas que aqui estão não têm sequer UM espinho. Bem podem ser  mensageiras de uma amizade verdadeira, a que alimenta, consola, alegra, encoraja, impulsiona para caminhos mais gratificantes que fazem a vida se tornar mais colorida.

Há quem diga que a rosa vermelha representa Paixão, sentimento bem diferente da amizade… Será verdade?

Pode ser! Contudo, amigos, observem o talo da rosa vermelha, e jamais se aproximem dele sem MUITO CUIDADO!

Ela, a rosa, é belíssima! Ele, o sentimento, é delicioso! Eles, os espinhos, não servem somente para “defender a rosa”… Para quem não sabe, eles ferem… mas, um dia, passa.

Ainda bem que admirar as rosas não dói nada.

E como esquecer as outras flores?