Arquivo | fevereiro, 2012

“Cai o pano”

19 fev

Voltando dos aprazíveis dias em Barra Grande, mesmo correndo o risco de decepcionar os leitores que esperam registro fotográfico, nada vou publicar sobre a assunto. O local é o mesmo em que fiquei no ano passado e que foi fartamente  registrado. É só clicar nos posts de fevereiro de 2011 e o maravilhoso pôr do sol lá se encontra. O mar permanece tão lindo quanto. O céu continua igual, em suas variadas nuances. A serenidade é de fazer inveja ao Paraíso. A música dos coqueiros e das ondas permanecem com o gosto de canção se ninar. Os restaurantes , embora rústicos , e justo por causa disto, merecem as cinco estrelas do primeiro mundo. É tudo muito chique e, sobretudo de excelente qualidade . Sem medo de errar! A pousada DENADA é movida a simpatia e conforto. Mas não esperem televisão, nem mesmo aparelho de DVD.

O Oceano Atlântico entrou de maneira devastadora no meu olhar. A bacia de Camamu comporta inúmeras ilhas, ilhotas e até paraísos particulares para quem pode. Ficava horas e horas cismando, meditando sobre a coragem dos navegadores que se aventuraram pelo desconhecido, em busca, sabe Deus ( e Luiz  de Camões ) de quê.

Ainda hoje, o mar, tantas vezes bravio e mesmo quando sereno, assusta e faz suas vítimas. Nunca é demais dedicar a ele, o mar, o respeito e a devoção que lhe são, por direito,  devidos. Que ninguém dele se aproxime sem a necessária reverência. Ele assim o exige! E com razão!

É preciso estar atento…

Quentes  icebergs tropicais
escondem perigos submersos
prenunciam armadilhas adversas
quiçá mergulhos infernais.
Sob as águas, à espreita,
rochas escondidas armam ciladas
sob o sereno espelho.
E, no gesto silencioso e traiçoeiro,
o insidioso e inesperado golpe se gesta,
violento, traidor.
 
( Barra Grande,  fevereiro,  2012 )
 

Foram dias de muita reflexão e algumas decisões .

Sem ir muito longe, tenho “viajado” por dentro e alcançado poucos “portos”.

Acho que chegou o instante de parar um pouco. Há mais de três anos escrevo este blog, nos “momentos bons e nos momentos maus”. Se foi interessante para alguns de vocês, muito mais o foi para mim. Chegou, entretanto, o momento de fechar a cortina.

“Cai o pano”
 
Somente ao poeta a última palavra
Manto que recobre o pensamento final
Ou, melhor ainda, 
o sentimento que agasalha
e serve de mortalha
àquele momento do último sopro
– mesmo que muito outros 
ainda estejam por vir.
Nem à ciência
Nem às crenças,
Nem aos ideais
Nem aos desejos não realizados
Nem às recordações das coisas já vividas
a nada disso dedico o meu último afeto…
É diante do suspiro do poeta,
cristalizado em palavras,
que me dobro e me enterneço
…Palavras que escorrem,
lenta e suavemente,
entre as pedras áridas
daquilo que em meu ser
não floresceu, não frutificou, não germinou.
 
Quanto de mim permaneceu
estéril, inútil, infecundo
e quanto se ressente desse vazio
– o tempo do desperdício
o tempo do desassossego.
 
 A voz do poeta vem
e massageia a mágoa
Filtra a cisma
Limpa o campo
Corrige a terra
Fertiliza o solo
…e permite-me partir
como quem ainda tem
ânimo para semear…
 

 Com a palavra, Luiz de Camões :

Canto Quinto  (in  OS LUSÍADAS )
 
Se antigos filósofos que andaram
Tantas terras por ver segredos delas,
As maravilhas que passei, passaram,
A tão diversos ventos dando as velas.
Que grandes escrituras que deixaram !
Que influição de sinos e de estrelas !
Que estranhezas, que grandes qualidades !
E tudo sem mentir, puras verdades.
 
 

…e tudo que eu tinha a dizer, foi dito.

 

 
 
 
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          

De volta ao Paraíso

4 fev

Ya me voy, partindo amanhã, para o mesmo Paraíso onde estive no ano passado , nesta mesma época : BARRA GRANDE, maravilhoso litoral baiano.

Acho que ali se encontra uma cópia colorida do CÉU ORIGINAL !

Para que nada seja diminuído em resultados favoráveis, sigo acompanhada das mesmas amigas que fizeram da minha estada um prazer incomparável !

Ficaremos na mesma pousada – Pousada Dinada – bonita, confortável, colada ao mar e ao Por do Sol…uma delícia!

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