Arquivo | setembro, 2012

Uma antiga história

18 set

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A Natureza nos impõe seus caprichos, nas diversas fases que vai desenrolando diante de nossos olhos. A Primavera multicolorida , cheia de brilho e esplendor, numa riqueza de detalhes que nem todos enxergam… é como se ela passasse mais rápido que as outras estações: é  tempo curto demais para que todas as cores e perfumes sejam percebidos com a merecida atenção.Sempre deixa saudade…

O Verão comporta energia extra. Há muito sol, muita praia, muitas férias a exigirem atividades enlouquecidas de desejos a serem realizados. Tudo que envolve prazer, encontros, festejos, viagens, está encastoado, quase sempre, no Verão, que brilha como joia rara…

Outono, período de reflexão e recolhimento, quando a seiva é poupada para alimentar a fase que vem depois…Uma estação plena de dourados e silêncios. Um vento frio, vindo de longe, arranca as folhas que fizeram festa no Verão; frutos se apresentam para alimentar os viajantes que, nos caminhos, buscam com o olhar algo que lhes traga de volta a força e a energia que, talvez, o verão lhes tenha surrupiado.Tempo cheio de presságios…

À sombra do que foi um outrora
repousa agora a folha emurchecida
Da cor que um dia a revestiu (bonita!)
mais nada existe e, sobre a terra, chora.
Perdeu a cor, o lustro, a primavera, a vida.
Já não protege do calor o viajante
nem exala frescor, sombra , perfume…nada!
No triste outono resta-lhe a saudade
da vida útil que viveu um dia
 
Tola cegueira que não deixa ver
a nova história que hoje desfia:
É um tapete de dourado encanto
em que os pés do viajor encontra abrigo.
E, de mansinho, suaviza-lhe o caminho…
Sem ser notada traz conforto amigo
Todos a pisam e…distraídos, a ignoram. 
 

Vejam só o que descobri agora: nunca escrevi versos para o Inverno!

Por que terá sido?

Medo das nuvens cinzentas e sombrias  que costumam encobrir o azul do céu de Primavera ou do exuberante Verão?

Inquietação que nos envolve quando chuvas, raios e trovões obscurecem o nosso ser , num sentimento de ameaças e temores reais ou imaginários? Espécie de premonição de abismos de solidão e frio?

Aquela tristeza  por saber as sementes provisoriamente escondidas , sem condições de se sobrepor às ordens da Senhora Natureza? Se for assim, melhor. É o momento de se alegrar e confiar. Em breve acontecerá a renovação…a Primavera vai retornar com todo brilho que lhe é próprio. A explosão de cores, perfumes e formas, romperá a  terra e a alegria recobrirá novamente a Vida. 

Não é assim ?  Ou tudo não passa de delírio animista de poeta   exigente de imagens e ideias poéticas atapetando o árido caminho por onde andamos?

 

 

 

 

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7 set

Em silêncio, há tempos…Que maldição conseguiu calar a boca de alguém que precisa falar, ou melhor, precisa escrever, para que o sangue continue circulando em suas veias? Sangue?! Que sangue?!

O sangue que instila vida às veias que estiolam diante de coisas e situações que desinstalam, que comovem, que maltratam , ou até aquelas que alimentam e trazem estímulo para o que causa admiração e gozo.

Escrevi coisas, sim, mas poupei os supostos leitores das coisas que escrevi…

Melhor silenciar que expor as absurdidades invasoras dos sentimentos de alguém cuja sensibilidade não consegue filtrar ou minimizar as dores e os desconsolos que marcam como ferro em brasa, lugar-comum ao qual não quero escapar procurando substituto, uma vez que poderia perder o impulso que ora me domina, no desejo de reconciliar-me com a palavra escrita. Voltar a  encontrar os talvez ainda existentes e raros leitores que me restam?  Uma temeridade. Provavelmente, mais do que nunca, estarei falando ao vento , como vaticinou o poeta .

Quem gostaria de ler?

Em Fim…
 
Silêncio surdo, de peso insuportável
Nuvens de chumbo colando em firmamento
o gosto de fim dos tempos.
O ronco ensurdecedor, quase inaudível,
vindo de longe, de muito longe…
Esparsos tremores prenunciam 
o desmoronamento total.
Como não perceber os escuros preságios 
na indizível tempestade que se aproxima?
 
A hidra da desunião vem tomando corpo e,
indômita fera, arreganha os dentes,
pronta a atacar para cobrir de sangue
a arena do anfiteatro.
Não há recuo…nem acordo
Não há bandeira branca…
 
O que se perdeu, para sempre está perdido
Resta jogar a toalha
e dar a luta por terminada.

 

Vêem? Sei que o que aqui descrevo pode ser aplicado em inúmeras situações…

Desejo que as que se descortinam nas suas histórias lhes sejam bem “leves”, se  for possível…