Poesia rompendo fronteiras

30 nov

Caros Amigos que frequentam o Vamos Cirandar

Não diria que são inúmeras ou incontáveis as intervenções (ou visitas) de leitores que vêm de países distantes, mas garanto que se apresentam de forma constante,  com bastante frequência.

E fico a me perguntar: essas pessoas entendem a minha língua? Seriam originárias deste nosso torrão natal e, por circunstâncias da vida, estão morando longe? Ou, quem sabe, é gente que quer lembrar ou aprimorar a língua portuguesa? Ou ainda : são “viajantes internéticos” que apenas vagueiam de blog em blog, sem maiores objetivos?

Como saber?

Por consideração a essas pessoas e a outras tantas mais, resolvi facilitar a comunicação entre nós.

Claro que, também por minha causa, achei por bem estender os horizontes desta Ciranda  e convidar mais leitores a “dançar” (ou cantar) conosco.

Nada mais conveniente que apelar para uma linguagem universal: o inglês…É uma tentativa, não posso prever se vai dar frutos. Quisera que sim!

Em parceria com um casal amigo ensaiarei uma publicação bilíngue certamente com alguns vazios, ou mesmo falhas, pois não será uma versão na íntegra – daremos preferência às poesias e a algumas frases esclarecedoras que venham facilitar o entendimento.

Transpor para além-fronteiras a sensibilidade, a experiência pessoal, a cosmovisão, a expressão poética de alguém, é algo difícil, diria até arriscado.

Se a comunicação e o entendimento da lírica, por si só,  já comportam dificuldades intrínsecas, imaginem o que acarreta a ousadia de querer romper as fronteiras da linguagem.

Eu não sei inglês…mas meus parceiros,  Marcos e Rosa,  sabem! Ela é professora desse idioma há mais de vinte anos. Marcos é translator e professor, e mais: ele também “arrisca” suas poesias. Ambos sabem onde pisam.

Vamos avançar para ver onde vai dar…

A primeira poesia fala do meu desejo de libertar a palavra:

Ideal

Mexer com a palavra.
Trazê-la à tona e deixá-la partir
como ave que voa em busca do degredo,
multiplicando espaço e tempo
entre a origem e o destino,
fazendo sucumbir pelo caminho
a dor, o fardo, o sonho, a esperança, o desatino.
 
Sugar do coração
a última gota de tristeza
e com ela vacinar o mundo.
 
Sentir dentro de si apenas o agora
…e sorrir.
Livrar-se do passado e do futuro,
acompanhar a dança que há de vir,
sem sufocá-la, tomando-a para si.
 
Ouvir a sinfonia cósmica
deixando-a correr por entre os dedos
a semear de luz o longe e o aqui.
 
Quisera libertar minha palavra
                              e vê-la sumir…sumir…sumir…   
 
 
 
 

 Ideal

Dinah Hoisel

Touch the word
Bring it forth and let it go
like a bird flying in its migration,
multiplying space and time
between origin and destination,
all along doing away
with pain, burden, dream, hope, folly.

Withdraw from the heart

its last drop of sadness
for with it vaccinate the world.

Feel inside only here and now
and … smile
Get rid of past and future,
follow the steps of a dance yet to come,
caring not to choke it on the taking

Listen to the cosmic symphony
as it runs through the fingers
and sows its light hither and yonder.

Wish to free my word
and see it disappear … disappear … disappear …

Marcos -AD Barros- Translator

Desejo que eu e meus amigos tenhamos alcançado o objetivo:Voar mais longe…e que VOCÊ nos acompanhe.

 
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4 Respostas to “Poesia rompendo fronteiras”

  1. Sandra 2 de dezembro de 2012 às 11:10 #

    É interessante ver que a rede possibilita cada vez mais o encurtamento das fronteiras. Palavras bem escritas ou ditas devem sim atravessar os oceanos e as terras pra chegarem onde devem chegar e transformarem o que for preciso. No blogspot, Anabel deixou um comentário dizendo que não gosta muito da figura onde a palavra “some”. Eu concordo com ela: penso que a palavra deve ser expressa e deve gerar um bom movimento por onde soa.
    Beijos.

    • Dinah 3 de dezembro de 2012 às 06:34 #

      Sabe, Sandrinha, toda palavra termina por sumir…ou pela distância que assume e vai ficando pequenina, pequenina, e o olhar já não a alcança…mesmo que durante o trajeto tenha gerado “bons movimentos” (lindo!)…ou quando seu dia termina por chegar, desaparecendo definitivamente, É o destino de tudo que existe. Enquanto isto não acontece, aproveitemos seus (da palavra) bons fluidos…Meu beijo.

  2. Zeza 4 de dezembro de 2012 às 13:43 #

    Congratulations. Your poems are borderless now, flying over the internet’s wings!!!

    • Dinah 4 de dezembro de 2012 às 14:07 #

      Adorei! Vou aproveitar seu comentário como título da próxima postagem!!!!

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