Arquivo | julho, 2013

Voltei…pressionada pelas circunstâncias…

17 jul

Não sei exatamente o que me aconteceu…ou está me acontecendo…

Talvez o desejo de sentimentos mais sutis, mais suaves, menos reacionários, como aqueles que invadem todas as publicações, no HOJE dos acontecimentos.

Todo mundo quer estar CONTRA alguma coisa ou CONTRA alguém!

Agora estou cansada! Quero estar A FAVOR de algo que nos console, que nos alimente, que nos devolva a serenidade, que crie um aconchego com sabor de ninho de passarinho…Algo macio como música italiana, ou sorvete de pitanga, ou um gesto delicado como passar a mão pelos cabelos de alguém querido…Estou carente, está claro, mas é que a situação não está fazendo graça para ninguém rir!!

Outrora encontrei, na minha infância, elementos que me trouxeram harmonia e paz de espírito. Embora o fim do ano esteja longe, resolvi reeditar o que escrevi. Talvez a fonte na qual encontrei a água milagrosa (que bebi com muito gosto) esteja em crise e me impeça de criar algo NOVO.

São apenas reminiscências…

Promessa é dívida

4DEZ

Prometi que voltaria ao tema  ”Minha infância”…

Quando o caminho já se faz longo e a paisagem

vivida vai aos poucos perdendo a nitidez,

há sempre algo que fica indelével. Na maioria

das vezes é algum momento admirável,

lembrança que se reproduz com forte

dose de encanto. De repente nos apercebemos

sorrindo.O poeta define: “Vontade de

ver de novo alguém sabido chamou

saudade”, e outro completa com delicada

poesia, falando de “um sonho lindo perdido

na madrugada, quando a saudade vasculhava a

gaveta do coração”…

Esclareço que não compreendo minhas

lembranças como sonho perdido,

nem mesmo como saudade. Parecem mais

uma foto com som e imagem, melhor

 dizendo,um filme com trilha sonora, no qual um

bando de pirralhos cantava com gosto,

sob a batuta de um indisciplinado maestro.

Não havia cobranças…

O que nos movia era o prazer de conhecer belas

músicas e cantá-las como as entendíamos.

Não havia limites. Ninguém temia nem recuava

diante do desafio de um idioma estrangeiro…

Assim era, como nos parecia! …e estranhos

“dialetos” iam-se sucedendo nas animadas noites,

após o jantar.

Bastava um disco ( e eram muitos!) na “vitrola” e

a função começava. Espetáculo diversificado,

não havia escolha prévia. Tudo era bom:

tango argentino, românticas músicas italianas,

a imensa variedade das deliciosas, e às vezes

dramáticas ,composições do nosso

cancioneiro popular…e até, (podem crer!) óperas.

Não havendo Dvds, ficávamos por conta da nossa

imaginação. As aulas de piano, extremamente

metódicas, não se aproximavam, nem de longe,

dos nossos “saraus” improvisados. Crescemos

apreciando a Música e todo o bem que

ela nos traz. Teoria, solfejo, harmonia,

bemóis, sustenidos, bequadros, são coisas

para os iniciados, nunca nos seduziram.

Costumo imaginar que, se em vez de piano, tivessem

nos aproximado do violão, as coisas, digo, a vida

teria tomado um outro rumo…

“Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar”…

Naquele tempo (tem gosto de coisa sagrada!)

apreciávamos e curtíamos adoidado a voz de

Mario Lanza e o ajudávamos a gargalhar

na ópera Pagliacci… ou   La donna é mobile,

 Ave Maria, Santa Lucia, Granada, eram

 canja para nossas gargantas e o nosso

entusiasmo. Carlos Gardel e Nelson Gonçalves

tinham espaço cativo no nosso “palco”: quanto

mais dramático o tango, mais sucesso fazia! …

Coração Materno, Porta Aberta e “dá-lhe”

Vicente Celestino que, na preferência de meu pai,

perdia para Francisco Alves. E tinha mais

Orlando Silva, Carlos Galhardo, Silvio Caldas,

 para momentos de seresta!

Dalva de Oliveira, Ângela Maria, benditas

entre as mulheres. Ima Sumac, a princesa inca,

com sua voz única! Dizia-se que ela aprendera a

cantar indo para a floresta imitar os

pássaros…e a nossa imaginação a acompanhava

em suas andanças.

Não, não é saudade, é revivência. Basta que

se ouçam  novamente essas canções , o tempo

 retorna e o filme começa.

A música clássica – assim eram chamadas aquelas

tocadas pelas grandes orquestras sinfônicas

recheadas de violinos, violas, cellos, oboés,

fagotes, trompetes e tubas, piano, harpa

e o pretensioso prato, pontuando o

arrebatamento! – hoje “dita erudita”,

escreveu um capítulo à parte na

minha memória musical e afetiva.

Sei que não havia o objetivo de nos fazer mais

“cultos” e sim mais sensíveis ao

que nos torna felizes.

Grande homem, o nosso “maestro”!

Deixo para vocês um pouco da minha recordação.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=zZFbSscuQps

Numa tradução livre:

Representar!

Ainda preso ao delírio não sei o que digo e o que faço!

E ainda…é do ofício…Esforça-te!

Bah!! És um homem? Tu és palhaço!!

Veste a fantasia e pinta o rosto de branco

As pessoas pagam e querem rir…

Se Arlequim te rouba Colombina,

Ri! Palhaço!

Alguém há de aplaudir.

Transmuta em graça o espasmo e o pranto!

Em soluços , o desgosto e a dor!

Ah! Ri palhaço! …sobre teu amor dilacerado!

Ri da dor que envenenou teu coração!

Achávamos esta interpretação O MÁXIMO!!!

E continuo achando!

Por outro lado, encontrei este vídeo maravilhoso

e partilho com vocês, agregando delicadeza ao período

festivo do ano que se finda.

Boas Festas para todos e um Novo Ano

pleno de realizações!

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