Arquivo | dezembro, 2013
Nota 15 dez

De volta…Às vezes sinto aquele impulso de reativar esta forma de comunicação…Coisas guardadas por muito tempo podem mofar e perder o valor. Quero passar para os leitores que, incrivelmente, continuam lendo o que escrevi, mesmo que a autora tenha se afastado. Lá vai:

 

Das muitas coisas que fiz, de algumas direi…Bonitas…

De outras, até: São belas!

Modelei, esculpi, pintei, escrevi…criei!

 

Agora, olho as minhas mãos…duvido delas.

Já não as sinto capazes de capturar o encanto

…e, no entanto, o belo continua

a extravasar-se aqui…ali…por todo canto…

 

Onde o curto-circuito?

Nas mãos?…No olhar?…No sentimento?

Na mente? No interesse? Na vontade?

Por que tal distanciamento?

 

O que mudou em mim

para que eu me sinta assim?

 

Mas, não pensem caros amigos, que morri para a minha fiel

companheira de viagem, a Arte.

Tenho-me grudado ao universo dos poetas com a mesma so-

freguidão com que o náufrago se agarra ao último dos destro-

ços que sobraram  do naufrágio.

 

Há poucos dias “ouvi” a voz de Mário Quintana sussurrando:

 

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos

colhidos no mais íntimo de mim…

Suas palavras

seriam as mais simples do mundo,

porém não sei que luz as iluminaria

que terias de fechar teus olhos para as ouvir…

 

A resposta não se fez esperar. E segredei ao poeta o sentimento

que aflorava em meu ser, diante de seus “versos muito lindos”:

 

E eu?

O que eu queria?

Queria alguém que me falasse assim…

Queria ter amado um poeta…

Não! Queria ter conhecido um poeta que me amasse…

Que me fizesse versos inspirados

naquela luz interna que não mente.

Palavras vivas

Que me iluminassem a mente,

o corpo, a alma, a vida…

Que me fizessem sentir, ardentemente,

A glória de ter nascido gente!

 

Era um segredo entre mim e o poeta…mas resolvi dividir com vocês…

 

 

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