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Em dia de Aniversário

26 jun

Novamente a areia da ampulheta cumpriu sua função de marcar o tempo.

Olhos no calendário. Mais um ano se esgota no cálice da vida e a incontrolável dupla tentação mais uma vez se apresenta: medir, contar, avaliar e, pior ainda, qualificar os dias que se foram…ou, sob outro enfoque, querer estabelecer metas para o próximo ano que ora bate à porta. Bobagem em ambos os impulsos.
Melhor não abrir champanhe para nenhum dos dois casos… pode ser um gasto inexpressivo e inútil.
Mais de uma vez já declarei que convém exorcizar
A BALANÇA
Para refletir a própria história
melhor usar o bom senso:
Distância da balança da justiça.
Aqueles dois pratos rigorosos
que, sem condescendência,
são juiz do acontecido.
Tribunal sem misericórdia,
sem contemplação, impiedoso,
contabiliza o sim e o não,
medindo e pesando o que passou.
Em um dos pratos,
os gloriosos momentos…
No outro prato o desengano,
a dor, o sofrimento,
todos os mistérios dolorosos.
E a síntese da história
ali se vê retratada
trazendo trágico carimbo
marcado pelo selo do irremediável.
Ali não cabe
nem mesmo o arrependimento,
território vedado à esperança.
Pra que medir e contar o que navega
no oceano do sem jeito?
Para que reviver desilusões
erros, desencantos, desencontros,
decisões calcadas na estupidez?

Tampouco convém confiar demais no

Vir- a- ser
Por ínfimo que seja o vir-a-ser,
é lá que se projetam as possibilidades.
De lá podem surgir compensações.
No que virá se forja o talvez.
Lá o imponderável,
o imprevisível,
o inesperado,
talvez tramando alguma teia…
Talvez boa notícia…
Sem que o saibamos, o inaudito…
Quem sabe…talvez…

As inferências alcançadas podem invalidar muitas ilusões

Que vida?
Quantos dias cabem
no alforje que carrego às costas?
Quantos passos medem
as pegadas que deixei pra trás?
Qual o peso do ar
que desde sempre respirei?
Por quantos toques o pulsar
deste triste coração
já anunciou que vive?
Será que vivo?
Será que tenho vivido
todo o tempo e o espaço que percorri?
Tantos foram os dias
cobertos por mortalha…
Tantos foram os passos
que levam a lugar nenhum…
Tantos foram os soluços entrecortando
e impedindo a inspiração…
O coração tantas vezes louco,
ao ritmo de tambores fúnebres.

Contabilizando assim, vivi tão pouco!

No entanto, se alguém precisar de estímulo, resta um último consolo, uma provocação:
Talvez

Grandes são os desertos? – Sim!
Tudo é deserto? – Talvez…
Talvez…possibilidade entre o sim e o não…
Movimento entre o erro e o acerto.
Resistência frente ao ir e vir.
Dúvida que consome o passo …
O deserto aí está…
São grandes seus espaços,
imensa a sua solidão,
tremenda a ausência da certeza,
lento o momento da decisão…
Mas provocante é a proposta
do alcance das lonjuras do horizonte…
a oferta da viagem,
embriagador convite à aventura,
o desafio de encontrar o oásis
…superando o desconcertante
encontro com a miragem.

Então vamos acender a velhinha, digo, velinha do bolo e iluminar os dias que se seguirão! Cantem comigo mais uma primavera (!) conquistada…



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AMIZADE… SEMPRE!

20 jul

Para ser sincera tenho um pouco de dificuldade de estabelecer datas significativas em meu calendário.
No meu entender, e no meu sentimento, o que é realmente importante não precisa de registros … é importante, e pronto! Em qualquer dia, em qualquer fase da lua, em qualquer estação do ano, com qualquer temperatura, com chuva, sol ou vento…É importante ?! Então é importante, sempre!
Mas recebi recadinhos deliciosos de gente deliciosa…e retribuo, com carinho.
E, é claro, agradeço aos céus, a bênção de possuir amigos. Seria difícil viver sem eles. Para todos, a minha mais verdadeira amizade, as minhas mãos abertas para dançar a ciranda do afeto.

AMIZADE

Maravilha das maravilhas:
caminhar juntos, passo a passo.
Em uníssono ouvir…e apreciar!
Encantar-se em dupla,
sorrir um só sorriso.
Tocar o mundo, arriscar
sonhar um único sonho
e, em dupla, realizar.
É como uma só dança acompanhar,
é como uma só música escutar
ou, diante do assombro, ficar mudo.
É dar as mãos e pela vida prosseguir
plantando, recolhendo,
descobrindo, compreendendo.

Mas, o que há de estranho nisso tudo?
É tão comum sentir-se amigo, dividir,
é tão comum uma emoção compartilhar,
é tão comum contar segredos e escutar…

A amizade traz insuspeitado enigma:
é incrível um pensar…e o outro falar.
É um mistério um sentir dor… e o outro sofrer.
É um assombro um descobrir…e o outro também
e, ao mesmo tempo, flutuarem rumo ao além.

Há um caminho
Há uma proposta
Há um convite
Há uma resposta a encontrar
Há um ideal…

E os amigos fazem juntos a jornada,
naturalmente confiantes
e, sem se cansarem,
seguem unidos pela estrada sem final…

Mas o que há de tão estranho
em tudo isso?
Isso é comum.
É rotineiro…

Mas não quando essas pessoas,
das quais falo nesse instante,
estão a milhas de distância uma da outra
e vivem totalmente distanciadas
e de há muito, muito tempo, se afastaram
e o contato corporal foi eliminado.

É muita terra, é muito espaço a separá-las
e, no entanto, o horizonte permanece
e, embora desconheçam os novos rumos definidos,
a ligação espiritual se fortalece.
Seus pensamentos paralelos vão seguindo
para que, um dia, se encontrem no infinito.

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Às vezes, vale
o prazer de olhar para trás e perceber que…

Tantos passaram por mim…
Viageiro que sou,
vou topando com gente
pela vida a fora.Alguns apenas passam…
e o que fica é pouco mais que nada.

Mas há outros que,
sem pedir licença,
invadem a minha casa,
se entranham em minha vida,
se colam à minha pele
…e caminham comigo.

E de tal forma a simbiose é feita,
que às vezes digo:

– Não sou um, sou muitos!

Como posso me apartar
de quem de mim faz parte?

Às vezes vejo com olhos de alguém
que, de forma sublime,
me abriu os olhos.

Às vezes ouço com ouvidos outros,
mais apurados , mais atentos
que os meus próprios ouvidos.

Às vezes me ouço
repetindo saberes
que, se hoje são meus,
é porque alguém os trouxe
de esferas infinitas e, delicadamente,
tal pérola aninhada
em concha retorcida,
fez do meu coração depositário,
marcando para sempre a minha vida,
com fino relicário.

Que todos possamos caminhar juntos, desfrutando de sinceras amizades…
É o que a vida tem de melhor a nos oferecer!