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…E lá vou eu…

5 abr

…pela imensidão do mar…

Uaaauuu!!!

Aqui estou, a bordo de um Delta Yachts 36 pés. o “Jaguar” dos veleiros nacionais. Aviso aos navegantes : não é preciso comprar um. Basta ter amigos que o possuam…Eu tenho!

Lindo dia, o veleiro singrando as águas da Baía de Todos os Santos rumo à ilha de Itaparica, ou seja, a extensão da “Ilha da Fantasia”, que é Salvador. Tudo prometia ser um fim de semana de 1ª qualidade.

O conforto da “nave marítima” era patente. Seus quatro metros de largura comporta bancadas, almofadas, um painel beirando aqueles das naves espaciais, rádio,TV, mesa para alimentação, som, etc, etc, etc.Mas vamos direto à MINHA aventura. Viagem serena, céu lindíssimo, e, de repente , ao longe, a silhueta da cidade de Salvador fechando o horizonte. Belíssimo!

O maior orgulho da família-proprietária era o ar condicionado em todo o interior do barco – e foi justamente isso que me fez adiar ao máximo o meu encontro com o novo equipamento de lazer… detesto ar condicionado. Dormir em ambiente “super gelado”…Ughh!!

O dia transcorreu maravilhoso e foi encerrado numa pizzaria, na marina. Tudo ótimo!

Na volta quis tomar um banho. Banheiro, (menos de um metro quadrado! ) com vaso sanitário, pia, bancada para os cosméticos, alguns pequenos armários embutidos…e chuveiro(com água quente!). Um pouco apertado…mas tudo bem. E agora, onde coloco a roupa que tirei? E a que vou usar? e a toalha? Aos poucos vou solucionando os questionamentos…questão de jeito!

Devidamente higienizada (ou quase),decidi: vou dormir no lado de fora, chamado cockpit (pensava que era convés),- inveja dos fórmula-um???. Mas onde?! a bancada tem somente 50 cm. de largura, é para sentar, e não para dormir! Mas eu insisto. A noite está linda, o céu é um cobertor de estrelas, e uma lua quase cheia clareia tudo com luz difusa ( que não é a do abajour lilás embora se aproxime de…)

Poderia dispensar a enorme profusão de luzes que vêm do cais. a meu ver desnecessárias, entretanto elas atendem à segurança dos usuários…sinal dos tempos perigosos que estamos vivendo. Tudo funciona a contento. Minha filha sugere que dentro do barco o conforto é maior. Dispenso. Sou aventureira acostumada com tempo duro e tudo me parecia muito molinho. O mundo estava em paz.
Os onze metros de comprimento do veleiro acomodavam com conforto os viajantes: na proa cabiam 2, no “salão” central devidamente transformado em dormitório, cabiam 3, (um deles seria EU,que me recusei, por motivos óbvios.) E o “leito nupcial”, na popa, é um arraso: cabiam mais de QUATRO !
Eu preferi o céu (quase) aberto. Um toldo vai me cobrir caso haja mudança no tempo.Nos recolhemos. Uma portinhola dividida em duas me separava do resto da turma. Se eu precisasse poderia transpô-la e entrar.
– Não. Obrigada. Não será necessário!
Tudo era tão bonito que o sono não vinha.
Depois da meia-noite um forte chuvisco me obrigou a levantar para retirar as toalhas que secavam penduradas no “guarda-mancebo” (!!!). Eu o chamaria “protege-criança” de cair no mar, e somente para as pouco travessas, pois para as MUITO travessas só há uma solução: “Homem ao mar!”
Para impedir que as toalhas se molhassem, eu me molhei toda! Tudo bem.
Voltei à minha “cama”, ajeitei o travesseiro (alto demais, estou habituada com o meu, bem baixinho) e ainda enfrentei mais três chuviscos semelhantes. O que não vi é que corria um filete de chuva para ensopar, subrepticiamente, o meu travesseiro! Tudo bem… me consolei com as toalhas quase secas.
A noite tinha cor inesquecível e a luz do ancoradouro iluminava alguns veleiros e seus reflexos na água serena pediam para serem transformados em maravilhosa marina pictórica.Daria um excelente quadro! Já não queria dormir… tava bom assim! E aí… veio vontade de fazer xixi. Tentei abrir a tal portinhola. Não consegui.Tudo bem.
Um simples xixi não iria poluir o Oceano Atlântico!
Mas, gente! Nessa hora desejei ser homem que possui torneirinha própria. Foi meio difícil, mas consegui. Ufff!!! Acho que agora posso dormir. E então um balde de água caiu do céu de uma vez e quase me afoga. Ridículo! Um oceano aos meus pés e eu me afogo com água celeste!
FIM do 1º Capítulo


Por fim consegui deslocar a tal portinhola e entrei no barco…ou seria a SIBÉRIA ?
Ninguém pode imaginar o drama: roupa molhada, cabelo molhado, travesseiro encharcado e um frio que vinha do início dos tempos a congelar tudo!
Como eu invejei os esquimós! Dizem que o iglu é “quentinho”…pelo menos mais quente que o lado de fora. Aqui é o contrário!!!
Mesmo com o risco de virar picolé consegui dormir (ou desmaiar) por uns dez minutos antes que o sol acordasse. Foi aí que João ( dez anos) acordou e com ele acordaram todos os ruídos possíveis e imagináveis no ambiente… eram seis horas da madrugada… e nada mais pôde ser feito, a não ser descobrir que toda minha bagagem tinha sumido ( bolsa, sacola, escovas, sabonete, óculos escuros…) na transmutação noturna, ocorrida no ambiente… Paciência.Tudo bem!

Continua no próximo capítulo.
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