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Mª Bethânia x J. Velloso

24 nov

Pois muito bem…
A pedido, lançarei aqui as impressões sobre uma noite deveras especial:
O show de Maria Bethânia, ao qual tive o imenso prazer de assistir, embora, participar mesmo, ficou um pouco difícil: ficamos na fileira Z10, ou seja, penúltima fila do enooooorme Teatro Castro Alves. Se me foi dado o direito de enxergar algo, devo-o ao binóculo que me foi emprestado por alguém que conseguiu melhor localização.

Mas, valeu, e muito!
Maria Bethânia em fase intimista, modulando voz de travesseiro, nos faz acreditar que, aquilo que ela canta, sai da nossa própria alma.
Poucos músicos, nenhum excesso, nem no cenário,nem no figurino…apenas a confiança na própria interpretação, no excelente repertório, nos arranjos do seu confidente musical, o maestro Jaime Alem. Tudo perfeito.

As músicas, muitas, dos seus dois CDs recém lançados: TUA e ENCANTERIA.
Mas não só… Cantou também aquelas que fazem parte da sua própria história de moça interiorana, certamente ( e ela sempre o registra) aprendidas com Canô, a inigualável!
Há o momento em que a musa distinque a própria Mãe como a responsável pelo nome creditado ao show: Amor…Festa…Devoção…Teria sido,e continua sendo, esta a orientação que Canô passa para os filhos como método de viver bem a Vida.
Gostei e concordo…contanto que a devoção tenha larga significação, não implicando nem em discriminações, nem em preconceitos…

Após o show nos arriscamos a ir até o camarim. Aqui , dizem, é fácil…ela sempre atende os mais corajosos que se arvoram em se aproximar da estrela.

Mas, após longa espera, uma boa turma foi desiludida. Motivo: Canô lá estava e ia jantar…o que demandaria largo tempo. Se alguém quis insistir, não sabemos…Nós desistimos. Uma pena! Pela primeira vez eu teria feito uma tietagem deste quilate.

Não há o que reclamar. Conheci e bati um bom papo com J. Velloso, um compositor que faz parte da família privilegiada pelas musas do Olimpo. Já conhecia as suas composições e tinha muita curiosidade em conhecê-lo…Consegui, e adorei!
Também falei , pouco, mas foi legal, com o Jaime Alem. Em resumo, tietei!…

Fotos?! Aí a coisa pegou! Quis bater uma de Canô e só consegui registar uma pernas desconhecidas: A Senhorinha é muito baixinha, e envolvida por uma quase multidão,
resultou em um fracasso fotográfico (Anabel,preciso de aulas!!!).

Rejane salvou a noite: bateu foto da Matriarca e de J. Velloso comigo…e só!

Um destaque: a preferência pelos compositores baianos:
Dori Caymmi, Saul Barbosa, Jorge Portugal, Capinam, J. Velloso e outros maravilhosos, todos constantes no seus novos CDs. Vale adquirir, sem medo de errar!

Eu adoro esse pessoal que nos aponta o lado mais gratificante da vida, mesmo que nem sempre seja o lado mais colorido! O meu segundo livro lhes concede o crédito dos meus momentos mais felizes.
Aos meus companheiros de viagem, letristas, músicos, intérpretes, astros desse meu Brasil carente de glórias, POETAS, SERESTEIROS, o meu eterno agradecimento!

Sem sair do assunto nem do sentimento que vivo agora, devo colocar, também a pedido, uma poesia que faz parte do livro ” A longa viagem…”

Receita para fazer poemas

Para criar poemas é preciso
se perder em pensamentos.
Não ter medo de estar só.
Não esquecer nunca
de quedar-se triste…ou radiante.

Ouvir Vinícius é fundamental
(na voz de Bethânia, o ideal).
Banhar-se em Chico, aos borbotões
e ler Fernando até dormir.

Pronto.
Aí o berço em que a criança vai nascer.
E a alma brasileira vem
na madrugada se contar
– é o momento das musas em ação.

Claro, há receitas mais sofisticadas.
Mas esta é bastante
para deixar a alma enluarada.

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