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Fim de semana com Glauber Rocha

3 ago

Tive um fim de semana indigesto.

Vi-me frente à produção cinematográfica Coleção Glauber Rocha / Fase 1 (2008), restauração e remasterização de parte da obra do badalado cineasta – um trabalho primoroso, digno de chinês.

Lembrei-me de meu saudoso pai.

Explico:

Nos idos de 1950, esteve ele a visitar o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. No livro de visitas, deixou registrada a sua impressão sobre o que viu:

Por museu d’arte quem quiser que tome-o…

Eu, não, que ao vê-lo, afirmo sem malícia:

Se não fosse um perfeito manicômio,

Certo, seria um caso de polícia…


Claro que não passou despercebida aquela ácida colocação.

" O Correio da Manhã, o jornal mais importante da época, publicou na sua seção de arte uma nota em que dizia ter Alberto Hoisel deixado no livro um pouco da sua ignorância, desrespeito, estupidez, desconhecimento da arte,etc.etc.

Ao saber ( um amigo lhe mandou o jornal) que seus versos criaram tamanho ranger de dentes,

o autor deu grandes gargalhadas…" ( Transcrito do livro Solo de Trombone (ditos & feitos de Alberto Hoisel – Autor: Antônio Lopes ).


Era assim, o meu velho…

Crer sempre em tudo que digo

É tolice rematada

Sou dos que perdem o amigo

Mas não perdem uma piada

Voltando ao meu fim de semana, enguli de má vontade o "dragão e o seu "santo guerreiro". Se nordestinos se movessem naquele ritmo, São Paulo estaria, ainda, a apenas poucos metros do chão e não nas alturas dos seus arranha-céus…e ali, os céus cintilariam com o brilho de fulgurantes estrelas…E Caetano não teria gerado Sampa.

Mas a coisa pegou de vez em A Idade da Terra.

Posso até estar de acordo e admitir a necessidade varonil do cara em querer "mudar o mundo",

"salvar os fracos e oprimidos",etc.etc.- era a epidemia da época!

Mas…se o seu ‘ canto da sereia’ para conquistar correligionários foi A Idade da Terra...Tô fora!

Não me parece " …uma canção para acordar os homens"

Mais que isso. Dei graças a Deus por não ser ‘intelectual’ – embora na família possa encontrar quem milite nessa classe privilegiada e hermética. Eu não sou, nunca fui, nem tenho a veleidade de ambicionar dela tomar parte. Daí que, em não sendo intelectual, posso deixar rolar, com toda sinceridade e desinibição o meu juízo sobre o dito filme: DETESTEI!

( Um intelectual de carreira não tem coragem de confrontar seus pares! Pode ficar mal visto… Certamente aplaudirá a película.)

Na minha atual fase iconoclasta não poderia me omitir de publicar o que penso.

Vi, não gostei…mas recomendo.


Aviso: é preciso muito estômago para suportar três horas de non sense. Se existem metáforas e analogias inteligentes, elas desaparecem naquela incoerente colcha de retalhos sem sentido – é assim que vejo ! Para mim foi desesperador …e haja dor!

Os senhores me perguntariam: "- Por que não desligou e interrompeu o sofrimento?!"

– Porque me basta ser ignorante, não estúpida.

Sem maiores comentários, vejam o filme. Ficaria gratificada sabendo que alguém concorda comigo…Se não, paciência!

Aliás, paciência é o que proponho, em lugar da pipoca.

Desejo-lhes um bom divertimento!


P.S. Por justiça devo dizer que, em outra época, vi Deus e o Diabo na Terra do Sol… Gostei muito!

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