Tag Archives: Exupéry

Exupéry, a Flor e a Estrela

13 out

“Como tantos que leram O Pequeno Príncipe, eu também captei a simplicidade de sua mensagem e compartilhei a tristeza de Saint-Exupéry quando o herói-criança, que alcançara as profundezas de meu coração, foi obrigado a retornar a seu asteroide. Muitas vezes perguntei a mim mesmo, o que aconteceria a essa criança tão especial se continuasse a viver entre nós. Como seria sua adolescência? Conseguiria preservar a inocência de seu coração?” indaga o poeta argentino A. G. Roemmers.

As indagações acima são pertinentes, sobretudo quando se sabe que há novidades acerca do assunto.

Anuncia-se que a editora Fontana (Objetiva) está lançando uma continuação dO Pequeno Príncipe, com aval da Fundação Exupéry.

Que podemos esperar?  – Uma bênção? Uma ameaça?

Sim, porque a maior exigência ( não explícita ) do mundo contemporâneo é exatamente o que sobra e se expande da personalidade do herói-menino, aquele cuja curiosidade o levou a buscar em terras estranhas o algo que ele queria trocar por toda riqueza de que era possuído: sua ternura, sua gentileza, sua inocência, sua amizade, sua boa-vontade diante do inesperado, seu afeto…

Os corações empedernidos de hoje precisam de um banho de simplicidade. Teria o novo livro a capacidade de preencher este vazio que invade e sufoca a sociedade dos nossos tempos?

Os objetivos de cada pessoa , atualmente, patinam na semelhança com os desejos dos personagens encontrados pelo nosso pequeno herói, em sua viagem pelo cosmo. Nunca os anti-heróis estiveram tão em alta!

Tentar reativar a mensagem do garoto, não tendo, o novo conteúdo, a firmeza e a beleza de um  Exupéry, pode ser contraproducente…e cair no vazio, levando consigo a força do original! Isto é o que eu chamo de AMEAÇA.

É preciso confiar que vai acontecer aquele milagre que a sociedade humana espera e que pode ser definida pelo que escreveu um grande amigo ao se surpreender, lendo em idade inesperada, a preciosa parábola do escritor francês:

“Por incrível que pareça, só hoje, aos 64 anos, estou lendo O Pequeno Príncipe. E o mais interessante é que estou achando sensacional!”                                                                                                                       (C.S.Mascarenhas)

A minha colaboração para estimular a leitura do original, e, quem sabe, a sua sequência:

A Flor e a Estrela

Três e meia da manhã,

eis-me a grafar sentimentos.

Não posso escrever mais tarde

– a ideia, volátil,  some,

não me convém adiar.

Viver é tirar a venda

– a arte mais sutil da vida.

No meu pensar peregrino,

descortino com clareza…

Recordo Exupéry,

sua história ingênua e bela.

Menino, estrela e rosa

– as luzes do seu destino.

Vagar pela vida a esmo,

sem amigo, sem roteiro,

sem cultivar uma rosa, sem tocar em uma estrela,

é não perceber o brilho,

o cintilar do caminho.

Deus me perdoe a blasfêmia,

uma dúvida me segue:

Será a sofrida ausência

de uma estrela e de uma flor,

na trilha dos passos seus,

o que levaria alguém

a reinventar um Deus?