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A longa viagem ao ponto de partida – Eu fui!

26 out

Não me entendam mal. Ainda não morri. E nem terminei minha longa viagem ao ponto de partida. Mas fui, sim, ao lançamento do livro de Dinah. Antes que alguém aí pense que entrou na sala da casa errada, vou avisando: Sou eu (Bel) que estou escrevendo. Levemente atrasada (quase uma semana), mas foi um atraso forçado pelas circunstâncias. Estou em Salvador, sendo enfermeira-babá de minha mãe, que passou por uma cirurgia, e – sofrimento maior – sem internet. Somente agora que Santa Dinah trouxe o tim web e me emprestou, posso, entre outras coisas, mostrar a vocês um pouquinho do que foi a noite de 21 de outubro, quando aconteceu o lançamento do livro “A longa viagem ao ponto de partida”.

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I. O ambiente

Sob as árvores no pátio da Piedade, lugar que certamente trouxe muuuuuitas recordações a todos que ali estavam: como alunos ou professores e funcionários, não há dúvida, a Piedade marcou. E a brisa do final de tarde – uma tarde quente em toda a cidade… a brisa trouxe calma e paz.

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II. O buffet

Deliciosamente arrumado, e deliciosamene delicioso. Deu pra entender?

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III. Os amigos presentes

Eu aprendi com a experiência de vida que não devemos nos queixar pelos que não atenderam a um convite nosso, e sim, celebrar os que conosco estiveram. Pois ali estavam pessoas queridas, familiares e amigos, e quem não foi… perdeu!

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IV. A Música

Fatal: Não me lembro o nome dos músicos! (Só comigo acontece isso???) Mas a qualidade é impossível esquecer! MPB lindamente tocada e cantada, poderia durar até o amanhecer…Dinah 2o livro 21-10-09 033V. A Fala da dona da noite

Dinah não queria formalidades. E assim foi. Um tempo de celebrar, ainda que tariamente, o nascimento de um filho. Sim, porque livros são filhos, poemas são filhos. E quando se dá à luz  é preciso gritar para que os outros percebam o quanto é intenso esse momento. E Dinah leu para nós sua poesia que fala desse rasgo interno que é parir a poesia.

Desespero

Parem essa loucura toda!
Calar a voz do poeta… Sacrilégio!
Profanação pior que arrancar-lhe a pele
e o coração.

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Poema é grito de sobrevivência!
Dói-me.
Dói-me a mente…
Dói-me desesperadamente pensar,
imaginar, que “a poesia, em breve,
será lingua morta, que
pouquíssimos falam e ninguém ouve”.
Que restará de humano ao mundo
se o poeta abdicar do ofício?
Mesmo que o amor, desolado,
tenha abandonado a terra,
o fingido amor do poeta
é brado de resistência,
prova consistente, sólida, evidente
de que, um dia, houve gente!

O livro foi dedicado aos seus ex-alunos e aos seus professores. Representando as duas “categorias”, Marcelo e Dorana  (e eu também, né?)…

Dinah 2o livro 21-10-09 048… e Helena dos Anjos

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“Minha poesia é natural e simples como a água bebida na concha da mão”

Mário Quintana

 

VI. As outras falas

Como não poderia deixar de acontecer, apesar de não planejado, outras vozes se fizeram ouvir, no mesmo tom de informalidade. Minha boca, que não consegue ficar fechada, tinha que dar o ar da graça, além de Baísa e Helena dos Anjos.

Dinah 2o livro 21-10-09 059 Dinah 2o livro 21-10-09 053Dinah 2o livro 21-10-09 068E foi assim o nosso  Happy Hour. Valeu demais! E mais do que o momento, valeu o significado dele.

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A lenda do beija-flor

15 fev

Recebi de uma pessoa muito especial uma fábula que preciso passar para vocês. Digo e confirmo que essa pessoa é especial e explico porque… Ela possui em si mesma uma inexplicável máquina do tempo que lhe permite ir e vir através do tempo com a mesma facilidade com que tomamos um ônibus ou um taxi. Os limites dessas viagens, até onde ou até quando, eu não tenho conhecimento.

Daí que não posso dizer se a lenda do beija-flor que ela (a pessoa em questão) me enviou lhe foi contada por ancestrais seus, ou é uma criação dela própria. Mas isso é o que menos importa.
O que consegui absorver da dita lenda é a explicação (absolutamente verossímil) do comportamento do nosso beija-flor.

Agora podemos saber porque ele age de maneira tão pouco habitual, tão inusitada.

Segue-se a lenda:

Lenda do beija-flor


Conta uma lenda indígena que um dia um bando de uirapurus – os pássaros mais canoros de toda a floresta – se reuniu para uma audiência com Tupã.


Ao chegarem na presença do deus supremo, postaram-se ao solo e um porta-voz previamente escolhido assim falou:


– Ó, Tupã nosso pai, senhor e criador de tudo que anda, rasteja, nada e voa, nos agraciastes com o mais belo canto de toda floresta, porém nossa plumagem não faz jus à beleza de nossa voz. O colorido de nossas penas pouco supera a de um reles pardal.


Neste ponto, Tupã interrompeu o porta-voz e disse;


-Todos os pássaros vos invejam os trilados longos e melodiosos, isto não vos basta? O que mais quereis?


-Ó pai, dai-nos uma plumagem esplêndida e um bico longo e elegante.


-Tens certeza do que me pedis?


-Sim, pai Tupã, é este o nosso maior desejo.


-Pois que assim seja.


De imediato a plumagem do bando descontente de uirapurus transmutou-se em uma brilhosa aquarela onde predominava o azul e o verde – alguns outros preferiram o dourado e mesmo o vermelho, mas todos se viram possuidores de bicos longos e graciosos – alguns eram curvos e outros eram retos.


Maravilhados e agradecidos a Tupã, lá se foram os uirapurus.


Logo sentiram fome, tentaram capturar os insetos de costume mas perceberam que seus novos bicos eram incômodos para a tarefa outrora tão fácil. Passaram então a se alimentar do néctar das flores.


Não lamentaram a mudança e disseram:


-Quem precisa de insetos? Agora podemos capturar o mel com nossas línguas.


Após se satisfazerem à larga, deu-lhes vontade de cantar e atrair os outros pássaros invejosos de seu canto incomparável. Mas… que decepção! De suas gargantas saía tão somente um trilado curto, inferior até mesmo à voz de um pardal.


Frustrados, foram novamente ter com Tupã.


-Pai, o que houve com nosso canto que tanta inveja causava aos nossos primos?


Tupã irritado limitou-se a convocar uma harpia para que os expulsasse do palácio.


Dizem que alguns desses novos pássaros – apelidados de beija-flor – vagam hoje por vários lugares à procura do canto que já não podem executar. Pousam tristonhos em quintais toda vez que ouvem música e tentam reaprender a arte perdida.


Olha aí o nosso amiguinho parado, ouvindo música.

(Clique para ampliar)