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Revivendo…

3 jan
Segundo estatísticas que acabo de receber, o blog de maior “audiência” já escrito aqui,  foi  “…Caminhando… e Vivendo”, publicado em 6 de Janeiro de 2010.

RECOMENDO esta leitura novamente. Não vou  escrever outro semelhante (mensagem de Ano Novo) pois não saberia criar nada melhor. Ficaria honrada se o comparecimento dos meus leitores fosse considerável.

NÃO ESQUECER DE RELER TAMBÉM OS COMENTÁRIOS, EM NÚMERO DE 36…são deliciosamente incríveis!

Que o meu AMOR , disseminado pelos caminhos por onde ando, seja uma garoa refrescante no caminho de todos vocês, alimentando as melhores sementes que venham a esparzir pelos seus próprios caminhos, durante o ano que se inicia.
Um beijo nada convencional…muito verdadeiro!
 

…Caminhando…e Vivendo…

Um poema novo 

Não chamem o tempo de velho.
O tempo que me acompanha
tem a mesma idade que tenho.
A idade do meu sentir,
do meu compreender,
da alegria de lembrar
…e vislumbrar.

Foi , e está sendo,
criança comigo.
Sempre colado à minha juventude
que, às vezes, descubro, a sorrir,
espreitando-me por entre
as agruras da maturidade.

Ali está:
Um camaleão,
tomando a cor da minha cor…

Meu tempo,
minha sombra,
meu duplo,
meu amigo.

Prepara-se ,
a cada manhã que nasce,
para me acompanhar
ao despontar da velhice.

Aí, sim,
O tempo será o velho tempo!

Lá vamos nós rompendo as folhas de novo calendário.
Sem receios premonitórios… Vale, no momento ,cantar…E convido, todos nós, a fazermos coro com Milton Nascimento e Fernando Brant: 

Credo

Caminhando pela noite de nossa cidade
Acendendo a esperança e apagando a escuridão
Vamos, caminhando pelas ruas de nossa cidade,
viver derramando a juventude pelos corações
Tenha fé no nosso povo que ele resiste
Tenha fé no nosso povo que ele insiste
E acorda novo, forte, alegre, cheio de paixão.

Vamos caminhando de mãos dadas com a alma nova
Viver semeando a liberdade em cada coração
Tenha fé no nosso povo que ele acorda
Tenha fé no nosso povo que ele assusta

Caminhando e vivendo com a alma aberta
Aquecidos pelo sol que vem depois do temporal
Vamos, companheiros, pelas ruas de nossa cidade
Cantar semeando um sonho que vai ter de ser real
Caminhemos pela noite com a esperança
Caminhemos pela noite com a juventude.

****************

 

Mª Bethânia x J. Velloso

24 nov

Pois muito bem…
A pedido, lançarei aqui as impressões sobre uma noite deveras especial:
O show de Maria Bethânia, ao qual tive o imenso prazer de assistir, embora, participar mesmo, ficou um pouco difícil: ficamos na fileira Z10, ou seja, penúltima fila do enooooorme Teatro Castro Alves. Se me foi dado o direito de enxergar algo, devo-o ao binóculo que me foi emprestado por alguém que conseguiu melhor localização.

Mas, valeu, e muito!
Maria Bethânia em fase intimista, modulando voz de travesseiro, nos faz acreditar que, aquilo que ela canta, sai da nossa própria alma.
Poucos músicos, nenhum excesso, nem no cenário,nem no figurino…apenas a confiança na própria interpretação, no excelente repertório, nos arranjos do seu confidente musical, o maestro Jaime Alem. Tudo perfeito.

As músicas, muitas, dos seus dois CDs recém lançados: TUA e ENCANTERIA.
Mas não só… Cantou também aquelas que fazem parte da sua própria história de moça interiorana, certamente ( e ela sempre o registra) aprendidas com Canô, a inigualável!
Há o momento em que a musa distinque a própria Mãe como a responsável pelo nome creditado ao show: Amor…Festa…Devoção…Teria sido,e continua sendo, esta a orientação que Canô passa para os filhos como método de viver bem a Vida.
Gostei e concordo…contanto que a devoção tenha larga significação, não implicando nem em discriminações, nem em preconceitos…

Após o show nos arriscamos a ir até o camarim. Aqui , dizem, é fácil…ela sempre atende os mais corajosos que se arvoram em se aproximar da estrela.

Mas, após longa espera, uma boa turma foi desiludida. Motivo: Canô lá estava e ia jantar…o que demandaria largo tempo. Se alguém quis insistir, não sabemos…Nós desistimos. Uma pena! Pela primeira vez eu teria feito uma tietagem deste quilate.

Não há o que reclamar. Conheci e bati um bom papo com J. Velloso, um compositor que faz parte da família privilegiada pelas musas do Olimpo. Já conhecia as suas composições e tinha muita curiosidade em conhecê-lo…Consegui, e adorei!
Também falei , pouco, mas foi legal, com o Jaime Alem. Em resumo, tietei!…

Fotos?! Aí a coisa pegou! Quis bater uma de Canô e só consegui registar uma pernas desconhecidas: A Senhorinha é muito baixinha, e envolvida por uma quase multidão,
resultou em um fracasso fotográfico (Anabel,preciso de aulas!!!).

Rejane salvou a noite: bateu foto da Matriarca e de J. Velloso comigo…e só!

Um destaque: a preferência pelos compositores baianos:
Dori Caymmi, Saul Barbosa, Jorge Portugal, Capinam, J. Velloso e outros maravilhosos, todos constantes no seus novos CDs. Vale adquirir, sem medo de errar!

Eu adoro esse pessoal que nos aponta o lado mais gratificante da vida, mesmo que nem sempre seja o lado mais colorido! O meu segundo livro lhes concede o crédito dos meus momentos mais felizes.
Aos meus companheiros de viagem, letristas, músicos, intérpretes, astros desse meu Brasil carente de glórias, POETAS, SERESTEIROS, o meu eterno agradecimento!

Sem sair do assunto nem do sentimento que vivo agora, devo colocar, também a pedido, uma poesia que faz parte do livro ” A longa viagem…”

Receita para fazer poemas

Para criar poemas é preciso
se perder em pensamentos.
Não ter medo de estar só.
Não esquecer nunca
de quedar-se triste…ou radiante.

Ouvir Vinícius é fundamental
(na voz de Bethânia, o ideal).
Banhar-se em Chico, aos borbotões
e ler Fernando até dormir.

Pronto.
Aí o berço em que a criança vai nascer.
E a alma brasileira vem
na madrugada se contar
– é o momento das musas em ação.

Claro, há receitas mais sofisticadas.
Mas esta é bastante
para deixar a alma enluarada.

Um evento maravilhoso – COM UPDATE: FOTOS!

12 ago

Uma tarde-noite de se guardar com carinho:
7º Festival Canta Villa do Colégio Villa Lobos.

Eu, avó, platéia, buscando analisar, de forma crítica e sincera, o desenrolar do espetáculo.

Em dois horários – o vespertino, Categoria Infantil – acolheu os alunos até o 4º ano Fundamental – com crianças até 10 ou 12 anos.
O horário noturno comportava os adolescentes, dos 13 anos até os alunos do 2º ano Médio.Dentre eles ( e todos muito compenetrados

do papel que viviam), muitos artistas.

Seriam promessas de futuros profissionais da arte de cantar?

Não importa! O que realmente importa é este momento presente, pleno de entusiasmo e vontade de agradar.
A platéia, de pais, professores, colegas, amigos, parentes e simpatizantes (sem esquecer o júri), estava ali para valorizar o dom de um

momento especial…e ela, a platéia, cumpriu com muito gosto o seu papel.Muitas vezes chegou ao delírio nos aplausos aos seus favoritos.

Fala a avó, evitando ser ” coruja”: numa seleção prévia, João(10 anos), Sandra (13 anos) e Renato( 16 anos),foram aprovados, o que deixou a família muito feliz. Só isto já nos teria deixado satisfeitos, mas eles foram além e se viram entre os cinco primeiros colocados de cada grupo, com direito a troféu e à participação do CD comemorativo.É demais para o coração de uma avó “tiete”!!!

Dou a palavra a Jucemir, um amigo da família, que não esteve presente por motivos óbvios (mora no Rio de Janeiro) mas que participou “por tabela” ao escutar o relato que lhe fiz, com muito gosto e detalhadamente…

– Já me informaram do sucesso da tarde-noite. Johnnie errou – repetiu indevidamente um trecho da letra – mas olhou firme o maestro e segurou a peteca, e tu,[Sandrinha], injustamente ficaste em 5º lugar. Júnior americanizou-se , mas se saiu bem. O relato fiel de Corujavóvis foi tão colorido que a flor [atirada por Sandrinha,à platéia], acabou caindo… Imagine… no meu quintal.

Quem sabe eu esteja na platéia no próximo festival?

Os garotos estão pretendendo colocar, na internet, o acontecimento. Esperemos…

Impressionou-me , sobremaneira, a escolha do repertório. A MPB foi ovacionada em pérolas como:

* Amor pra recomeçar (Frejat) , defendida por João Arléo
* Tarde em Itapuã
* Sá Marina, defendida por Pedro Tupinambá – 1º lugar infantil
* Xote das Meninas
* É preciso saber viver
* Não deixe o samba morrer
* Aquele abraço/Trem das onze/O samba da minha terra/ Sangrando
* O bêbado e a equilibrista/ Sampa/ Wave
* Como nossos pais (Belchior), defendida por Ester Teixeira- 1º lugar
* Sonhos( Peninha), na voz de Sandra Hoisel Arléo

Renato cantou e tocou (no violão), a música ” Sweet child of mine”, com mais três colegas:Thiago Alvim, Everton Luiz e Luana Miranda, excelentes como vocais, flauta e guitarra.Ficaram com o prêmio ” DESTAQUE”.
A Luana também conquistou o segundo lugar (intérprete) com “Hurt”.

Preciso dedicar algumas palavras aos artistas “lá de casa”…


João esteve incrível no domínio do diálogo com o maestro, na ponta dos seus olhares significativos…Não perdeu, em nenhum momento, o controle da sua apresentação.A letra de Frejat, difícil, não o intimidou e, do alto dos seus dez anos mandou ver…e convenceu! Sério e concentrado, sempre.


Renato, se apresentando pelo segundo ano consecutivo, mostrou um grande progresso no domínio do palco, do violão, da relação com seus companheiros, e até com a platéia… As garotas adoraram! Ele estava “livre, leve e solto”…Um amor!

Sandra pisou o palco, pela primeira vez, aos oito anos, e já levou
“Prêmio Revelação”, hoje transformado em “Destaque”.
A voz de Sandrinha surpreende a cada vez que que ela canta. Desde pequenininha! É uma voz grave, inesperada, suave… mas forte! Alcança notas baixas com facilidade e firmeza.
Seu quarto tem uma prateleira só para os troféus, já em número de cinco! O seu domínio de palco é de profissional…se fica nervosa não deixa transparecer. Passeia pela cena com uma segurança e elegância desconsertantes para uma figurinha de apenas 13 anos.

Na música “Sonhos” que defendeu, o seu rosto, sua expressão, acompanharam cada fase dos sentimentos revelados pelos versos.
Leveza, serenidade…”tudo era apenas uma bricadeira que foi crescendo, crescendo…” E a suave surpresa ao ver um grande amor surgir…
Quase sorriu ao afirmar “uma mudança muito estranha” no seu jeito de se dar, “quando a canção se fez mais forte e mais sentida”,e um leve sorriso aflorou em seu rosto “quando a poesia fez folia em sua vida”. Mas uma sombra cobriu o seu rosto ao reconhecer o momento em que se vê substituída no amor do seu amor…
Daí em diante, apenas o conforto de saber que, no futuro, certamente as coisas serão melhores e a felicidade está lá, esperando. A voz perde o ligeiro tom de tristeza e desabrocha plena de esperança, já envolvida em um clima de serena alegria.
Foi lindo! A platéia compreendeu e reagiu à altura…Num gesto definitivo, o cravo que lhe enfeitava os cabelos foi retirado e jogado aos participantes da platéia. Delírio total! Danadinha a garota!

Todos os participantes, inclusive a banda e o violoncelo (Eugênio – músico da Orquestra Sinfônica da UFBa), que acompanhou Sandrinha em “Sonhos”, todos eles, merecem os maiores aplausos.

Foi uma noite divina, inesquecível.



O Colégio, como sempre, merecedor de parabéns… Valeu, Amarante!

Em tempo: Carmem Miranda foi a homenageada do evento. Muito bem escolhido!

Que venham outros eventos como esse… Que o Villa provoque uma reação em cadeia… Os jovens merecem! E nós também…

A lenda do beija-flor

15 fev

Recebi de uma pessoa muito especial uma fábula que preciso passar para vocês. Digo e confirmo que essa pessoa é especial e explico porque… Ela possui em si mesma uma inexplicável máquina do tempo que lhe permite ir e vir através do tempo com a mesma facilidade com que tomamos um ônibus ou um taxi. Os limites dessas viagens, até onde ou até quando, eu não tenho conhecimento.

Daí que não posso dizer se a lenda do beija-flor que ela (a pessoa em questão) me enviou lhe foi contada por ancestrais seus, ou é uma criação dela própria. Mas isso é o que menos importa.
O que consegui absorver da dita lenda é a explicação (absolutamente verossímil) do comportamento do nosso beija-flor.

Agora podemos saber porque ele age de maneira tão pouco habitual, tão inusitada.

Segue-se a lenda:

Lenda do beija-flor


Conta uma lenda indígena que um dia um bando de uirapurus – os pássaros mais canoros de toda a floresta – se reuniu para uma audiência com Tupã.


Ao chegarem na presença do deus supremo, postaram-se ao solo e um porta-voz previamente escolhido assim falou:


– Ó, Tupã nosso pai, senhor e criador de tudo que anda, rasteja, nada e voa, nos agraciastes com o mais belo canto de toda floresta, porém nossa plumagem não faz jus à beleza de nossa voz. O colorido de nossas penas pouco supera a de um reles pardal.


Neste ponto, Tupã interrompeu o porta-voz e disse;


-Todos os pássaros vos invejam os trilados longos e melodiosos, isto não vos basta? O que mais quereis?


-Ó pai, dai-nos uma plumagem esplêndida e um bico longo e elegante.


-Tens certeza do que me pedis?


-Sim, pai Tupã, é este o nosso maior desejo.


-Pois que assim seja.


De imediato a plumagem do bando descontente de uirapurus transmutou-se em uma brilhosa aquarela onde predominava o azul e o verde – alguns outros preferiram o dourado e mesmo o vermelho, mas todos se viram possuidores de bicos longos e graciosos – alguns eram curvos e outros eram retos.


Maravilhados e agradecidos a Tupã, lá se foram os uirapurus.


Logo sentiram fome, tentaram capturar os insetos de costume mas perceberam que seus novos bicos eram incômodos para a tarefa outrora tão fácil. Passaram então a se alimentar do néctar das flores.


Não lamentaram a mudança e disseram:


-Quem precisa de insetos? Agora podemos capturar o mel com nossas línguas.


Após se satisfazerem à larga, deu-lhes vontade de cantar e atrair os outros pássaros invejosos de seu canto incomparável. Mas… que decepção! De suas gargantas saía tão somente um trilado curto, inferior até mesmo à voz de um pardal.


Frustrados, foram novamente ter com Tupã.


-Pai, o que houve com nosso canto que tanta inveja causava aos nossos primos?


Tupã irritado limitou-se a convocar uma harpia para que os expulsasse do palácio.


Dizem que alguns desses novos pássaros – apelidados de beija-flor – vagam hoje por vários lugares à procura do canto que já não podem executar. Pousam tristonhos em quintais toda vez que ouvem música e tentam reaprender a arte perdida.


Olha aí o nosso amiguinho parado, ouvindo música.

(Clique para ampliar)

O BEIJA-FLOR

11 fev

Ele tem voltado,
religiosamente,
Todas as manhãs
Todas as tardes…
Antes das cinco ele parte…

Para onde? Para quem? Para quê ?

Não me cabe saber…é seu segredo.

Não vem, como eu pensava,
repousar no seu galho preferido
para descansar suas asas agitadas.

Fica horas
– isso mesmo, horas –
paradinho, acordado, ali fica,
pousado em serenidade
para… OUVIR MÚSICA !

Foi o maior assombro dos meus dias.
Agora já não é mais.
É a constatação da unidade universal :
O que é bom para nós
é bom para as plantas
… para os bichinhos
…para os passarinhos.

Vê-lo escutando os sons
é ver-nos desejando a Paz.
Contemplá-lo passou a ser meu vício.
Eu sou o seu DJ
…e ele tem preferências !

Mas isso eu não conto a ninguém,

Não quero que me levem para o hospício !

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Queiram ou não acreditar, as coisas se passam exatamente assim…Há um beija-flor, há um jardim, há um som rolando… e há um mistério e um assombro acontecendo. Mas nada disso poderia ser conhecido se não houvesse dois olhos atentos, re

gistrando.
Muitas pessoas já viram e quiseram levar para a mídia (TV) o inusitado acontecimento.Não permiti. As fotos que ilustram a despretenciosa poesia não são dele…mas já o fotografei em várias ocasiões, depois que ganhei uma máquina fotográfica (a minha antiga o ladrão levou, espero que faça bom proveito).
Com o ninho pretendo lembrar, a nós todos, a grandeza da Natureza quando ela se revela no MÍNIMO.