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Eyjafjallajokull, UM ESPETÁCULO !

28 abr

Há dias, e dias, e dias que não nos encontramos… e aí deu SAUDADE !

Foram dias em que minha terra se afogou em lágrimas do céu, e, sem dó nem piedade, as terras correram, as casas das encostas desabaram, as famílias ficaram desabrigadas, a tristeza e o desalento atingiram, com maior intensidade os mais desvalidos e os mais economicamente fragilizados. Até aí nenhuma novidade. Já sabemos que é sempre assim…a corda quebra sempre do lado mais fraco. Além do mais, tempestades e enchentes não chegam a ser produtos recém lançados no mercado…ao contrário, são fenômenos bens comuns.

Entre os fatos que ocuparam a imprensa falada, escrita, e sobretudo televisionada, e que deixaram as pessoas em real estado se choque, (pelo menos na minha forma de entender as coisas) eu destaco A SOMBRA !

Dificilmente costumo assistir televisão…somente em ocasiões especiais eu me planto frente à telinha. E dessa vez eu estarreci! Aquela nuvem cobrindo o céu, diferente de qualquer nuvem que eu já tivesse visto, devido ao tamanho e ao compacto da sua textura, caminhando lentamente pelo espaço, como se tivesse a intenção de fazê-lo desaparecer para sempre…Um cobertor com o aparente peso de uma montanha de pedra querendo dominar o espaço…um monstro silencioso avançando pelos céus, absorvendo a limpidez e o azul que antes costumavam imperar tão naturalmente, dava-me a impressão de que nada jamais seria como antes… Aquilo me parecia uma condenação…uma ameaça…o início de uma nova era de negror e tristeza, da qual não seria mais possível escapar.

As consequências que advieram daquele fenômeno, não melhoraram em nada o sentimento de absurdidade que me envolvia tão intensamente.

O céu estava fechado! A ninguém era dado o direito inalienável de passear pelo espaço, direito conquistado desde Santos Dumont. Se, em algum momento os caminhos celestes ficaram fechados, isto se dava por pouco tempo e em espaços restritos. Agora, não! Ali se encontrava o inaudito, o espantoso, o inacreditável!

E, o mais incrível: a camada da população atingida! Humilhados, atônitos, sem direito sequer às exigências e reclamações às quais sempre se acharam, por direito hereditário, capacitados.

Ali estavam “os poderosos”, numa situação incabível no seu cotidiano.

O primeiro mundo se encontrava, literalmente, no CHÃO!

Consequente ao sentimento de impotência, somente uma solução : esperar…

Apenas UM vulcão provocou a pane mundial…E eles são milhares…

E eu fiquei refletindo sobre o real poder da natureza… e como somos insignificantes diante da sua grandeza!

Um Espetáculo

Pobre planetinha, outrora azul…
Sob pressão
de revoltado estômago,
ele vomita!
…E ele racha.
E suas entranhas vermelhas de sangue
rompem a terra
e se lançam aos ares.
Em cada canto a explosão da dor,
gerando dor…e dor…somente dor…
ou olhos estarrecidos e extasiados
diante do inaudito!

São oceanos de revolta intensa.
Já não se encontra o planetinha azul
sob espantoso cinzento cobertor.
E o gigante,
cuja mágoa explode,
se atormenta
em estertores ígneos,
em ondas espetaculares,
suores, suspiros e tremores
que emergem
de um peito torturado.

São urros de animal ferido.
Seu grito não é mais que
um brado de socorro
que ecoa pelos céus,
na solidão e silêncio dos ouvidos moucos.
– Ninguém ouve!

A lenda do beija-flor

15 fev

Recebi de uma pessoa muito especial uma fábula que preciso passar para vocês. Digo e confirmo que essa pessoa é especial e explico porque… Ela possui em si mesma uma inexplicável máquina do tempo que lhe permite ir e vir através do tempo com a mesma facilidade com que tomamos um ônibus ou um taxi. Os limites dessas viagens, até onde ou até quando, eu não tenho conhecimento.

Daí que não posso dizer se a lenda do beija-flor que ela (a pessoa em questão) me enviou lhe foi contada por ancestrais seus, ou é uma criação dela própria. Mas isso é o que menos importa.
O que consegui absorver da dita lenda é a explicação (absolutamente verossímil) do comportamento do nosso beija-flor.

Agora podemos saber porque ele age de maneira tão pouco habitual, tão inusitada.

Segue-se a lenda:

Lenda do beija-flor


Conta uma lenda indígena que um dia um bando de uirapurus – os pássaros mais canoros de toda a floresta – se reuniu para uma audiência com Tupã.


Ao chegarem na presença do deus supremo, postaram-se ao solo e um porta-voz previamente escolhido assim falou:


– Ó, Tupã nosso pai, senhor e criador de tudo que anda, rasteja, nada e voa, nos agraciastes com o mais belo canto de toda floresta, porém nossa plumagem não faz jus à beleza de nossa voz. O colorido de nossas penas pouco supera a de um reles pardal.


Neste ponto, Tupã interrompeu o porta-voz e disse;


-Todos os pássaros vos invejam os trilados longos e melodiosos, isto não vos basta? O que mais quereis?


-Ó pai, dai-nos uma plumagem esplêndida e um bico longo e elegante.


-Tens certeza do que me pedis?


-Sim, pai Tupã, é este o nosso maior desejo.


-Pois que assim seja.


De imediato a plumagem do bando descontente de uirapurus transmutou-se em uma brilhosa aquarela onde predominava o azul e o verde – alguns outros preferiram o dourado e mesmo o vermelho, mas todos se viram possuidores de bicos longos e graciosos – alguns eram curvos e outros eram retos.


Maravilhados e agradecidos a Tupã, lá se foram os uirapurus.


Logo sentiram fome, tentaram capturar os insetos de costume mas perceberam que seus novos bicos eram incômodos para a tarefa outrora tão fácil. Passaram então a se alimentar do néctar das flores.


Não lamentaram a mudança e disseram:


-Quem precisa de insetos? Agora podemos capturar o mel com nossas línguas.


Após se satisfazerem à larga, deu-lhes vontade de cantar e atrair os outros pássaros invejosos de seu canto incomparável. Mas… que decepção! De suas gargantas saía tão somente um trilado curto, inferior até mesmo à voz de um pardal.


Frustrados, foram novamente ter com Tupã.


-Pai, o que houve com nosso canto que tanta inveja causava aos nossos primos?


Tupã irritado limitou-se a convocar uma harpia para que os expulsasse do palácio.


Dizem que alguns desses novos pássaros – apelidados de beija-flor – vagam hoje por vários lugares à procura do canto que já não podem executar. Pousam tristonhos em quintais toda vez que ouvem música e tentam reaprender a arte perdida.


Olha aí o nosso amiguinho parado, ouvindo música.

(Clique para ampliar)

O BEIJA-FLOR

11 fev

Ele tem voltado,
religiosamente,
Todas as manhãs
Todas as tardes…
Antes das cinco ele parte…

Para onde? Para quem? Para quê ?

Não me cabe saber…é seu segredo.

Não vem, como eu pensava,
repousar no seu galho preferido
para descansar suas asas agitadas.

Fica horas
– isso mesmo, horas –
paradinho, acordado, ali fica,
pousado em serenidade
para… OUVIR MÚSICA !

Foi o maior assombro dos meus dias.
Agora já não é mais.
É a constatação da unidade universal :
O que é bom para nós
é bom para as plantas
… para os bichinhos
…para os passarinhos.

Vê-lo escutando os sons
é ver-nos desejando a Paz.
Contemplá-lo passou a ser meu vício.
Eu sou o seu DJ
…e ele tem preferências !

Mas isso eu não conto a ninguém,

Não quero que me levem para o hospício !

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Queiram ou não acreditar, as coisas se passam exatamente assim…Há um beija-flor, há um jardim, há um som rolando… e há um mistério e um assombro acontecendo. Mas nada disso poderia ser conhecido se não houvesse dois olhos atentos, re

gistrando.
Muitas pessoas já viram e quiseram levar para a mídia (TV) o inusitado acontecimento.Não permiti. As fotos que ilustram a despretenciosa poesia não são dele…mas já o fotografei em várias ocasiões, depois que ganhei uma máquina fotográfica (a minha antiga o ladrão levou, espero que faça bom proveito).
Com o ninho pretendo lembrar, a nós todos, a grandeza da Natureza quando ela se revela no MÍNIMO.





Conquista

28 nov

Conquista

Uma ciranda de pedras.
Caminho nada seguro
leva à terra prometida.
Sequeiro…e o outro lado convida…

Através do Rio Cachoeira,
a jornada.
Atravessar o mar vermelho.
Desafio !

Não uma simples aventura
…rigoroso rito de passagem.
Aurora da juventude.
Viagem de se fazer só
e conquistar com fé
o cetro da coragem.

Já na outra margem,
mais que um brado:
O suspiro e o iluminado sorriso
da vitória.

Nunca mais o temor.
Nunca mais a insegurança.
Nunca mais o medo.
À frente, a Vida !

Há, lá na juventude, momentos marcantes que, de repente, reaparecem com novo significado, que, nem de longe, se mostraram como epifania no momento em que aconteceram…A memória os reveste de filigranas e luzes, e eles se apresentam com nova roupagem…e se fazem signos e ícones de algo muito maior.

Assim foi a minha convivência com o Rio Cachoeira (hoje transformado em esgoto,da cidade vizinha à minha…Que pena !).Muitas vezes ele, o rio, me serviu de mestre. Feliz de quem “possuiu” um rio em sua infância e juventude. Voltarei a falar sobre ele…é o tributo que lhe pago por ter-me feito feliz, um dia…Sua bênção , querido amigo, que hoje deve fazer parte de algum museu no céu ( figura poética de Mário Quintana,meu também querido mestre e amigo).

A TARTARUGA

23 out

Pobre pequena tartaruga
Causas-me pena…
Aprisionada
em teu colete blindadoNinja 005
Que tremenda solidão!
Que injusto distanciamento
do mundo.

Será que tens coração?
Parece-me, nada te atinge.
Não te apercebes do frio?
nem do calor?

Não te permites a troca, o conviver,
o afeto, o bem querer…
Ao menor sinal de invasão
te recolhes ao mais profundo
de ti mesma.

Não vês o que não queres ver…
Não ouves o que não te apraz…
No teu espaço próprio
nenhum ser vivo é recebido?
Ninguém ultrapassa
a tua carapaça!

E, se não queres,
também de ti não sais.

Sabes,
não creio seja pena
aquilo que por ti viceja
neste meu coração tão desgastado…

Sabes? Eu tenho inveja!

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Aí está… Qualquer biólogo pode rejeitar o que o poeta enxerga.

Mas “Eu não tenho tribunal”… É assim que vejo, é assim que É.

Quando o poeta sente, ele fala em nome de si mesmo e de quem sente mas não sabe dizer.

Abraços.

Gaia ferida

19 out

Lembrando Caetano

Como quisera ser poeta.
Ter feito a fascinante descoberta:
Vivemos imersos no azul do céu 06-10-2008 101
“que vem até onde os pés tocam a terra”.
Respira a Terra
o azul que a envolve
E, ao espaço,
o azul que inspirou devolve.

Mas, horror,
vê-se ferida a glória
de que é feita a vida.

Vê-se ferida, maltratada,
por mão submissa à liberdade
(liberdade conseguida, mas pouco merecida).

Vê-se maculada
a infinita beleza.

Como ensinar ao ser humano a delicadeza?
Como fazê-lo compreender
o gozo que o contorna?

As cores do arco-íris tocam o chão,
ali apontam o único,o admirável,
o imensurável tesouro
que a luz do Sol revela.

Flores 013Somente os pés,
as mãos e a vontade
podem criar nova mentalidade.
Abrir novo caminho à nova realidade,
permitindo que o verdadeiro céu nos mude
e nos devolva a felicidade.

Aos amigos que cantam “verde que te quero verde”…

A Caetano, ao Gabeira, a tantos que sofrem pelas belezas agredidas…

Há um Deus

6 out

Há um Deus.
Claro que há um Deus!
Se não houvera,
como explicar

…um cacho de rosas
com vinte e cinco rosas
06-10-2019…um beija-flor
que pára em atitude de oração
só para ouvir canções
…uma criancinha linda que lambuza
os olhos e os lábios de mel
só para dizer “Papai”
…e com a mesma ternura
as aves cantam anunciando a manhã
…e o amor amansa as feras.
Se não houvera… Ah se não houvera!

E a brisa que suaviza o sol
que poreja a testa do trabalhador
no seu afã de engravidar a terra?06-10-2008 003
E o mar que vem e vai
mas não seca nunca… nem transborda
apesar de receber, sereno,
todas as águas que correm?

Há um Deus no Sol
que faz cirandar a Terra e seus irmãos.

Há um Deus na chuva
…no coração de quem perdoa
…naquele que oferece as mãos
…naquele que acolhe o irmão.

Há um Deus… Há um Deus!
Há um Deus da fartura
e estamos todos salvos! Somos amados!