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ESTAVA FALTANDO…

24 dez

Estava faltando…não está mais!!

Artigo Final

Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio e sua morada será sempre o coração do homem.

Uma (antiga )nova mensagem de Ano Novo

22 dez

Em 1964 Thiago de Mello anunciou Os Estatutos do Homem e ainda hoje tentamos, ou apenas esperamos, que eles sejam cumpridos.

Um ano novo aí está com novos desejos, novas esperanças, um novo impulso para criar o que de realmente humano venha a se sobrepor à selvageria que vemos acontecer à nossa volta.

Seria, o momento, uma boa oportunidade para que relembrássemos a lírica proposta do poeta?

Creio que sim.

Os Estatutos do Homem

Artigo I

Fica decretado que agora vale a verdade. Agora vale a vida, e de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II

Fica decretado que todos os dias, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III

Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassois em todas as janelas, que os girassois terão direito a abrir-se dentro da sombra, e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV

Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:O homem confiará no homem como um menino confia em outro menino.

Artigo V

Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará ser servida antes da sobremesa.

Artigo VI

Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII

Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII

Fica decretado que a maior dor  sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama, e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX

Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X

Fica permitido a qualquer pessoa, qualquer hora da vida , uso de traje branco.

Artigo XI

Fica decretado por definição que o homem é animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII

Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com rinocerontes e caminhar pelas tardes com imensa begônia na lapela.

Parágrafo único: Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.

Artigo XIII

Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.


Boas Festas para todos…e que o ano novo traga  o novo que qualifica positivamente o ser humano. Amem.


…E lá vou eu…

5 abr

…pela imensidão do mar…

Uaaauuu!!!

Aqui estou, a bordo de um Delta Yachts 36 pés. o “Jaguar” dos veleiros nacionais. Aviso aos navegantes : não é preciso comprar um. Basta ter amigos que o possuam…Eu tenho!

Lindo dia, o veleiro singrando as águas da Baía de Todos os Santos rumo à ilha de Itaparica, ou seja, a extensão da “Ilha da Fantasia”, que é Salvador. Tudo prometia ser um fim de semana de 1ª qualidade.

O conforto da “nave marítima” era patente. Seus quatro metros de largura comporta bancadas, almofadas, um painel beirando aqueles das naves espaciais, rádio,TV, mesa para alimentação, som, etc, etc, etc.Mas vamos direto à MINHA aventura. Viagem serena, céu lindíssimo, e, de repente , ao longe, a silhueta da cidade de Salvador fechando o horizonte. Belíssimo!

O maior orgulho da família-proprietária era o ar condicionado em todo o interior do barco – e foi justamente isso que me fez adiar ao máximo o meu encontro com o novo equipamento de lazer… detesto ar condicionado. Dormir em ambiente “super gelado”…Ughh!!

O dia transcorreu maravilhoso e foi encerrado numa pizzaria, na marina. Tudo ótimo!

Na volta quis tomar um banho. Banheiro, (menos de um metro quadrado! ) com vaso sanitário, pia, bancada para os cosméticos, alguns pequenos armários embutidos…e chuveiro(com água quente!). Um pouco apertado…mas tudo bem. E agora, onde coloco a roupa que tirei? E a que vou usar? e a toalha? Aos poucos vou solucionando os questionamentos…questão de jeito!

Devidamente higienizada (ou quase),decidi: vou dormir no lado de fora, chamado cockpit (pensava que era convés),- inveja dos fórmula-um???. Mas onde?! a bancada tem somente 50 cm. de largura, é para sentar, e não para dormir! Mas eu insisto. A noite está linda, o céu é um cobertor de estrelas, e uma lua quase cheia clareia tudo com luz difusa ( que não é a do abajour lilás embora se aproxime de…)

Poderia dispensar a enorme profusão de luzes que vêm do cais. a meu ver desnecessárias, entretanto elas atendem à segurança dos usuários…sinal dos tempos perigosos que estamos vivendo. Tudo funciona a contento. Minha filha sugere que dentro do barco o conforto é maior. Dispenso. Sou aventureira acostumada com tempo duro e tudo me parecia muito molinho. O mundo estava em paz.
Os onze metros de comprimento do veleiro acomodavam com conforto os viajantes: na proa cabiam 2, no “salão” central devidamente transformado em dormitório, cabiam 3, (um deles seria EU,que me recusei, por motivos óbvios.) E o “leito nupcial”, na popa, é um arraso: cabiam mais de QUATRO !
Eu preferi o céu (quase) aberto. Um toldo vai me cobrir caso haja mudança no tempo.Nos recolhemos. Uma portinhola dividida em duas me separava do resto da turma. Se eu precisasse poderia transpô-la e entrar.
– Não. Obrigada. Não será necessário!
Tudo era tão bonito que o sono não vinha.
Depois da meia-noite um forte chuvisco me obrigou a levantar para retirar as toalhas que secavam penduradas no “guarda-mancebo” (!!!). Eu o chamaria “protege-criança” de cair no mar, e somente para as pouco travessas, pois para as MUITO travessas só há uma solução: “Homem ao mar!”
Para impedir que as toalhas se molhassem, eu me molhei toda! Tudo bem.
Voltei à minha “cama”, ajeitei o travesseiro (alto demais, estou habituada com o meu, bem baixinho) e ainda enfrentei mais três chuviscos semelhantes. O que não vi é que corria um filete de chuva para ensopar, subrepticiamente, o meu travesseiro! Tudo bem… me consolei com as toalhas quase secas.
A noite tinha cor inesquecível e a luz do ancoradouro iluminava alguns veleiros e seus reflexos na água serena pediam para serem transformados em maravilhosa marina pictórica.Daria um excelente quadro! Já não queria dormir… tava bom assim! E aí… veio vontade de fazer xixi. Tentei abrir a tal portinhola. Não consegui.Tudo bem.
Um simples xixi não iria poluir o Oceano Atlântico!
Mas, gente! Nessa hora desejei ser homem que possui torneirinha própria. Foi meio difícil, mas consegui. Ufff!!! Acho que agora posso dormir. E então um balde de água caiu do céu de uma vez e quase me afoga. Ridículo! Um oceano aos meus pés e eu me afogo com água celeste!
FIM do 1º Capítulo


Por fim consegui deslocar a tal portinhola e entrei no barco…ou seria a SIBÉRIA ?
Ninguém pode imaginar o drama: roupa molhada, cabelo molhado, travesseiro encharcado e um frio que vinha do início dos tempos a congelar tudo!
Como eu invejei os esquimós! Dizem que o iglu é “quentinho”…pelo menos mais quente que o lado de fora. Aqui é o contrário!!!
Mesmo com o risco de virar picolé consegui dormir (ou desmaiar) por uns dez minutos antes que o sol acordasse. Foi aí que João ( dez anos) acordou e com ele acordaram todos os ruídos possíveis e imagináveis no ambiente… eram seis horas da madrugada… e nada mais pôde ser feito, a não ser descobrir que toda minha bagagem tinha sumido ( bolsa, sacola, escovas, sabonete, óculos escuros…) na transmutação noturna, ocorrida no ambiente… Paciência.Tudo bem!

Continua no próximo capítulo.